TANGO Y TÁTICA — RODADA #1

A agora Superliga Argentina começou e a primeira rodada já chegou com o pé na porta e uma chuva de gols

43 gols em 13 jogos disputados. Média de 3,3 por partida. A largada do renovado Campeonato Argentino, agora organizado pela Superliga e com total autonomia em relação à Asociación del Fútbol Argentino (AFA, para os mais íntimos) foi do jeito que o torcedor gosta. Mas além de gols, foi possível ver muita bola no chão e alguns destaques coletivos na semana de estreia do torneio. Vamos a eles…

Futebol de campeão

Depois da taça na última temporada, o Boca Juniors mostrou estar com disposição e com bola para defender o título. Os 3 a 0 aplicados no Olimpo foram perfeitos para quantificar o domínio xeneize na partida. No tradicional 4–3–3 utilizado por Guillermo Barros Schelotto, os atuais campeões encontraram certas dificuldades para quebrar as duas linhas de quatro armadas por Mario Sciacqua nos primeiros 15 minutos — mesmo com Benedetto (sempre ele), abrindo o placar logo aos 8'.

A solução para isso? Fernando Gago. O camisa 5 mais uma vez teve uma atuação de luxo. Nos dois primeiros gols, dois lançamentos espetaculares para Pavón no lado direito, que assistiu Pipa e Pablo Pérez para o 2 a 0 na primeira etapa. Mais do que isso, o experiente meia, atuando como interior direito, ditou o ritmo e deu enorme controle ao meio-campo da equipe, indo de uma área até outra para ajudar a construir os ataques. Com Gago aparecendo mais, o domínio foi total. Apesar de praticar um futebol de posse, o Boca não hesitou em acelerar o jogo para explorar os espaços deixados pelo adversário. O melhor exemplo disso é a jogada do vídeo abaixo, que para tristeza geral, não terminou em gol.

14 toques na bola e 7 passes. Foi tudo o que o Boca precisou desde a retomada da posse para levar perigo ao Olimpo.

Outro que teve boa atuação foi o recém-contratado Edwin Cardona. Carregando toda a responsabilidade e peso que a camisa 10 azul y oro tem, o colombiano levou perigo ao time de Bahía Blanca partindo da esquerda para o centro, virando praticamente um meia-atacante (o popular enganche na Argentina) quando tinha a bola e abrindo espaço para as subidas de Frank Fabra, que pouco explorou isso. Coletivamente e individualmente, uma ótima partida dos comandados de Melli.

Bombardeio cordobês

Depois de uma temporada muito consistente em 2016/17, a primeira após o retorno ao escalão de elite argentino, o Talleres começou a Superliga passando o carro por cima do Lanús. No Mário Kempes, a equipe de Kudelka teve nada mais, nada menos que 18 conclusões na partida. Destas 18, cinco viraram gols.

E muito desta goleada na estreia se deve à (subestimada) dupla de pontas, Menéndez e Palacios. Os dois conseguiram dominar as faixas laterais da defesa granate com velocidade e excelente capacidade de drible, entrando na área adversária com muita frequência. Juntos, marcaram três dos cinco gols do time. Os outros dois ficaram por conta dos atacantes recém-chegados. Junior Arias, contratado junto ao Peñarol, mostrou o seu bom futebol dos tempos de Liverpool uruguaio e deixou sua marca, preenchendo bem a vaga deixada por Victorio Ramis, que foi para o Godoy Cruz. Chelo Torres, emprestado pelo Boca Juniors, chegou ao Talleres tendo como credencial o bom Torneo de Reserva que fez na temporada passada, onde foi o artilheiro com 14 gols. Em sua estreia, entrou na metade da segunda etapa e anotou seu primeiro tento com a camisa da La T já nos acréscimos.

Para Jorge Almirón, resta juntar os cacos e arrumar principalmente o posicionamento defensivo do time. Armado no 4–3–3 e buscando atacar, o Lanús se viu exposto em contra-ataques, principalmente devido a baixa capacidade física e qualidade técnica questionável de seus homens pelo lado direito. Além disto, ofensivamente, a equipe pouco produziu quando esteve próxima à área adversária. O lado bom? Até o próximo desafio, Almirón terá 12 dias livres de trabalho. O lado ruim? Quem vem por aí é o Boca Juniors.

Zagueiros, mas nem tanto

Buscando dar mais qualidade para a saída de bola do time, Mariano Soso e Ariel Holan tomaram decisões arriscadas na composição de seus times, mas que de certa forma funcionaram. No sábado, enfrentando o Defensa y Justicia, Soso decidiu escalar Fito Rinaudo, volante de origem com 1,74m de altura, como zagueiro central do seu 3–1–4–2 com o Gimnasia. Já Holan colocou Nico Tagliafico, lateral-esquerdo de 1,69m, como companheiro de Alan Franco na defesa do Independiente para encarar o Huracán.

De fato, o início de construção ofensiva e saída de bola tanto do Gimnasia quanto do Independiente foram bastante consistentes pelos pés de ambos jogadores, levando em conta também a proposta de construção e posse das duas equipes. Entretanto, a falta de experiência para jogar no miolo da defesa pagou o preço em algumas situações. Rinaudo esteve perdido em algumas coberturas e foi ineficiente nos rebotes defensivos — que foram muitos e vários levando perigo, graças a péssima atuação do goleiro Bonnin. Tagliafico, por sua vez, sofreu ao ter que lidar com Wanchope Ábila, de grande força física, e Fernando Coniglio, de estatura elevada. Cabe aos treinadores ter a responsabilidade e a percepção dos momentos certos para utilizar jogadores deste biotipo em tal posição, para que nenhuma desvantagem seja gerada.

E agora, River?

Velocidade e jogo vertical deram o tom da vitória magra e pouco inspirada do River Plate em cima do Temperley, fora de casa. Posicionado inicialmente no 4–4–2, mas atacando no 4–1–3–2, o time de Muñeco Gallardo teve grandes dificuldades para infiltrar na defesa gasolera, tendo que apelar para chutes de longa distância para oferecer algum risco e buscar a segunda bola. O mesmo fez o Temperley, que também arriscou bastante de fora da área durante a partida. Germán Lux e Josué Ayala tiveram atuações ótimas debaixo das traves, e evitaram um placar mais elástico.

Porém, o principal problema do River agora é outro. Lucas Alario está praticamente acertado com o Bayer Leverkusen, e deixará uma lacuna gigantesca a ser preenchida. Santos Borré, recém-contratado junto ao Atlético de Madrid, deve ser o substituto natural para jogar ao lado de Scocco, mas sua qualidade em relação ao próprio Alario e também a Driussi, que foi para o Zenit, ainda é uma incógnita. Restam também Larrondo e Mora como opções, mas não possuem a capacidade técnica e física, e nem as características necessárias para suprir as necessidades que a função exercida por Alario exige, já que ele passou a ser um atacante de mais mobilidade depois da saída de Driussi. A ver como a direção millonaria irá agir quanto a isso.

A rodada:

(Via @argsaf)

Twitter: @dimibarcellos_