Tudo menos ela

Na hora que antecede o despertar, nosso corpo se prepara. Deixamos os reinos dos sonhos profundos e caminhamos com os pés descalços pela praia do inconsciente. E é nesse momento que damos vida às mais belas fantasias da nossa imaginação.

Tudo parecia normal naquela madrugada. O frio era a desculpa pro aconchego. O orvalho beijava lentamente a suave pele da cidade, sentindo com prazer o delicioso aroma que precede o despertar. De pio em pio, a sinfonia acordou a alvorada.

É… tudo parecia normal até o sol abrir os olhos. Lentamente, como com preguiça de levantar, os primeiros brilhos romperam a escuridão. Havia paixão, havia conforto, havia uma razão para ficar. E enquanto o frio fugia de volta para as sombras, os adormecidos se incomodaram nos sonhos por perder esse espetáculo.

Os olhos venceram a preguiça. Firmes e apaixonantes marcaram seu lugar. E de repente, ainda por debaixo das cobertas, um sorriso tímido rompeu o horizonte anunciando o começo do dia.

Tudo parecia normal naquela madrugada.

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