Evocação

Dedos de pele seca, assolados pela força motora, débil, repetitiva, de nervos que obedecem a ordens, de mente relutante, soldados e arautos que protegem o interesse de alguém, desconhecido, uma corporação, de cegos, de carroças vazias, barulhentas, de troncos podres, uma ciranda de engrenagens, algumas soltas, que rangem, secas, pálidas, por quê permanecem paralisados agora que estão postos à liberdade?

Corram entre as teclas, rápido, atropelem-se, tropecem, gritem alto, pisem firmes, em descompasso, em solo irregular, adiposo, perene, vibrem com eloquência, rolem por entre as rimas, esqueçam-se da coerência, mais rápido, antes que o fio da ordem se restabeleça, temos apenas esta noite (por enquanto), certifiquem-se de que todos os cabos estejam bem conectados ao centro, do que é eterno, do que pulsa, do que cochilava até então, avante!

Ah, meus combatentes! Quem poderia imaginar que reveriam o prazer de servir ao rei amado, de ouvir sua voz mansa, firme, harmoniosa e justa? Vejam seus próprios rostos felizes, infantis, livres, fiéis. A seiva escassa que nos resta agora parece multiplicar-se, temos energia de sobra até o amanhecer, talvez voltaremos a tê-la novamente, quem sabe? Estejam firmes por mais um milagre.

Quando voltarem ao campo, para quebrar novas e infinitas pedras tolas, para carregar fardos insuportáveis, congregar as cabeças esvoaçantes da corporação, lembrem-se da nossa festinha… ah, e de tentar disfarçar o sorrisinho de canto de boca.

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