Do tempo em que o amor venceu o álcool - seis meses de sobriedade em meio a uma tempestade

Hoje eu completo seis meses sem beber. 
É uma data em que gostaria de dar um abraço apertado no Fidel.
Eu sempre quero dar muitos abraços apertados no Fidel, mas especialmente hoje eu gostaria de dar um só, especial.
Um abraço que pudesse fazer ele sentir o quanto é importante para mim, juntamente com a data, simbólica.
Foi por ele, Fidel, que eu prometi a mim mesmo, não a ninguém, mas apenas a mim mesmo, que pararia de beber.
E parei.
Não foi fácil. 
Não está sendo fácil, nem eu jamais alimentei esperanças de que seria fácil. 
Nesses seis meses senti por algumas vezes vontade de beber. 
Vontades que vinham no bojo da melancolia, da tristeza, da depressão.
Para mim a vontade de beber nunca se apresenta só, e nunca vem de mãos dadas com a alegria.
Ela sempre vem parceira da desesperança, amiga da desilusão, ambas brindando à memória das dores mais sofridas.
Eu fiquei à beira do abismo.
Eu poderia ter sucumbido.
Eu poderia ter bebido.
Nada me impediria, moralmente falando. 
Ora, ninguém me ouse impedir, pois trago no peito todas as dores, dores suficientes que me justificariam.
Quem me lançaria em rosto o fato de ter bebido para escapar da enorme tristeza que sinto? 
Da tristeza advinda da perda do emprego garantidor do futuro do meu filho.
Demissão fruto maldito de uma conspiração abominável, que redundou numa injustiça sem precedentes, farsa grotesca.
Eu poderia ter usado a dor oriunda dessa infâmia como justificativa para meu eventual tropeço.
Mas eu não me justifiquei.
Eu não precisei me justificar.
Eu não bebi.
Nas diversas vezes em que a vontade sussurrou no meu ouvido, sedutora: "só um gole, Dio. Só um golinho", a lembrança da risada do meu filho, tão feliz por estar comigo, me demoveu da ideia.
A risada do Fidel é o som mais lindo do mundo! 
Acho que o único som que compete, por assim dizer, com a risada dele, é a lembrança que tenho do som da batida do seu coraçãozinho ainda dentro da barriga da sua mamãe, na sala de ultrassom.
Eu confesso que àquela época tentei, pelo amor que já sentia por aquele bebezinho do tamanho de um feijãozinho, parar de beber.
Mas a tristeza que sentia era maior que a alegria do porvir que eu imaginava, e que todavia obviamente ainda não conhecia.
O Fidel era uma promessa.
A minha única promessa.
E veio a promessa, e a promessa se tornou a minha esperança absoluta, a razão do meu viver.
Fidel é meu único sorriso, radiante. Ele é minha melhor crônica, minha poesia preferida, meu texto mais inspirado.
A melhor onda que um dia eu surfei. 
Eu, que nada tenho, afirmo que Fidel é tudo que tenho.
É muita coisa então o que tenho.
E foi por ele, e através dele, que tenho conseguido resistir ao apelo do atalho fácil, que se insinua em meio às dores dos tempos.
Eu credito minha resistência ao amor que sinto pelo Fidel, o amor que se impôs sobre as demais coisas, e revelou-se mais forte do que a soma de todas elas.
Sendo assim, me permitam comemorar essa pequena vitória pessoal.
Seis meses de sobriedade.
O teu amor venceu, Fidel.
O teu amor venceu.
O teu amor venceu o ódio.
O teu amor venceu o álcool. 
O amor, ao final de tudo, vencerá todas as coisas. 
(Viva Fidel!♥️)