A recepção do streaming em Belo Horizonte


Sempre me interessei pela indústria da música e parte deste fascínio vem da capacidade de reinvenção que esta indústria apresenta ao longo de sua existência. A indústria da música me encanta! E eu, que nasci no auge da era Compact Disc (CD), estou agora assistindo a ascensão de um novo meio de consumo de música, o streaming. Sendo assim realizei, durante o primeiro semestre de 2015, uma pesquisa para tentar conhecer melhor a recepção do streaming de música em Belo Horizonte. Essa pesquisa foi desenvolvida para meu trabalho de conclusão de curso (TCC), é minha filha única.

Quando iniciei o planejamento para a pesquisa, percebi a necessidade de criar um formulário que permitisse uma análise detalhada sobre as variáveis relacionadas à conexão dos usuários belo-horizontinos, assim como conhecer os dispositivos mais utilizados, serviços de streaming já utilizados, entre outros. Em contrapartida, identifiquei também a necessidade de conhecer, de forma mais ampla e aprofundada, os fatores que levam um determinado usuário a escolher o streaming como fonte de consumo de música . Partindo destes princípios, optei por criar um formulário misto, utilizando as técnicas quantitativa e qualitativa. No total 303 pessoas responderam ao formulário, através do Facebook, na cidade de Belo Horizonte . Os resultados você confere a seguir.


Dispositivos Digitais

Gráfico 01: Dispositivos mais utilizados

A primeira pergunta do formulário questionava os entrevistados sobre quais eram os dispositivos mais utilizados por eles no dia-a-dia. Todo e qualquer serviço digital que queira sobreviver em uma sociedade cada vez mais transitiva, terá de se adaptar a gama de dispositivos disponíveis no mercado. Saber como as pessoas estão se conectando fomenta uma discussão muito interessante, principalmente sobre o que é de fato relevante para o usuário quando estão em contato com determinado dispositivo. Cada um dos dispositivos acima tem um diferencial e oferecem uma experiência de uso personalizada. Os smartphones e tablets, por exemplo, oferecem uma mobilidade que o computador tradicional não tem e em contrapartida, possuem uma tela consideravelmente menor. A pesquisa comprovou aquilo que já é conhecido pela grande maioria: os Smartphones são tão relevantes no dia-a-dia das pessoas quanto os computadores. Por outro lado, o crescimento das SmarT Tvs em relação aos tablets foi uma surpresa. Isso mostra o quanto este mercado é transitivo. A ascensão das SmarT Tvs apresenta um novo mercado em potencial e traz o desafio de criar para um dispositivo que já está presente nos lares há bastante tempo e que agora retorna oferecendo novas possibilidades.


Fontes de Acesso à Internet

Gráfico 02: Fontes de acesso à internet mais utilizadas

Conhecer a fonte de acesso à internet é primordial para a existência dos serviços de streaming de música. Embora o streaming permita consumir conteúdo online sem travamento em conexões com velocidades medianas, existem outros fatores que podem fazer com que o usuário opte por não acessar determinados conteúdos. No Brasil, por exemplo, as operadoras de telefonia móvel oferecem pacotes de dados para as conexões 3G/4G. Esses pacotes possuem um limite de tráfego de dados e este só será renovado após o fim de um ciclo que dura até 30 dias. São as chamadas franquias de dados. Quando este limite é atingido, a velocidade pode ser reduzida ou pode haver um corte na conexão, por exemplo. Sendo assim, um usuário que estiver conectado à internet via 3G/4G estará menos disposto a consumir música por streaming, pois esta atividade poderá consumir toda a sua franquia de dados. No Wi-Fi os usuários não tem que se preocupar com o tráfego de dados, pois não há limites neste tipo de conexão. O Wi-Fi oferece também a possibilidade de conectar vários dispositivos em uma mesma assinatura de internet, ou seja, o usuário não precisa contratar um provedor de internet para cada dispositivo que tiver. Além disso, normalmente a velocidade da internet via Wi-Fi é mais estável. As conexões à cabo, menos utilizadas, possuem uma boa qualidade de conexão, mas são exclusivas para computadores e/ou notebooks, por isso tem cada vez menos espaço.


A qualidade da conexão em Belo Horizonte

Medir a satisfação dos usuários em relação às redes que utilizam é primordial para tentar traçar a qualidade dos serviços de internet disponíveis em Belo Horizonte. Para avaliar esse requisito, o usuário deveria classificar sua satisfação com o serviço de internet ao realizar tarefas básicas como ouvir música na internet, acessar redes sociais e etc. Considerando ‘péssimo’ como uma experiência extremamente ruim, com problemas ao carregar determinado conteúdo e/ou dificuldade para acessar o site, e ‘muito bom’ como uma experiência agradável, onde o usuário consegue realizar a tarefa sem qualquer transtorno, é possível traçar um perfil da navegação online em Belo Horizonte. Para responder a estas perguntas, os usuários deveriam considerar a conexão que mais usam no decorrer do dia. Sendo assim, é preciso considerar que grande maioria destas respostas está relacionada ao Wi-Fi.


Gráfico 03: Qualidade da conexão à internet ao abrir sites e/ou redes sociais

Navegar em sites e redes sociais pode ser definida como uma das tarefas mais básicas a se realizar na internet, pois não demanda grande performance da conexão. Além do mais, alguns sites apresentam recursos que visam melhorar a experiência de quem navega em conexões mais baixas. Sendo assim, a maioria absoluta, cerca de 80% dos entrevistados, avaliam a experiência como boa ou muito boa. Apenas 2.6% dos entrevistados relatam ter uma experiência ruim ao executar estas tarefas.


Gráfico 04: Qualidade da conexão à internet ao assistir vídeos online

Assistir a um vídeo na internet utilizando o YouTube ou Netflix, por exemplo, é uma tarefa básica que exige muito da conexão. Com a ascensão dos vídeos em FullHD, os arquivos de vídeo ficaram extremamente pesados e transmitir isso via streaming torna-se um desafio em conexão com velocidades mais baixas. Mais uma vez a grande maioria, cerca de 61% dos entrevistados, afirmam ter uma experiência boa ou muito boa ao assistir vídeos online. Os insatisfeitos, que classificam a experiência como ruim ou péssima, cresceram e saltaram para 9.3% dos entrevistados.


Gráfico 05: Qualidade da conexão à internet ao ouvir músicas online

Medir a satisfação do usuário ao executar músicas online oferece uma visão interessante sobre o atual consumo de música na internet. O foco aqui é entender a performance da internet ao executar uma música e os serviços de streaming lidam com isso a todo o tempo. Deve existir um equilíbrio entre a qualidade do áudio oferecido ao usuário e a velocidade da internet. Ou seja, não adianta oferecer um conteúdo que carregue rapidamente, mas que não tenha qualidade ou vice-versa. Constata-se então que as empresas entendem este principio, pois cerca de 76% dos entrevistados relatam uma experiência boa ou muito boa ao ouvir música online. Apenas 3,9% dos entrevistados classifica a experiência como ruim ou péssima, um número menor que o de insatisfeitos com o streaming de vídeo, por exemplo.


Gráfico 06: Qualidade da conexão à internet ao fazer downloads

O download é uma atividade amplamente utilizada desde os primórdios na internet nos anos 1990. É possível transferir fotos, músicas, aplicativos e etc. Essas transferências podem ser tanto de arquivos pequenos, como um arquivo mp3 de 4 megabytes ou um grande arquivo, como um vídeo em FullHD, que pode ultrapassar a marcar de 1 gigabyte (250 vezes maior que uma música, por exemplo). Quanto maior a velocidade da internet, menos tempo o usuário gastará para completar o download, o que caracteriza uma boa experiência. Cerca de 58% dos entrevistados afirmam ter uma experiência boa ou muito boa ao fazer downloads. O número de insatisfeitos que classificaram a experiência como ruim ou péssima é de 10.6%.


Gráfico 07: Qualidade da conexão à internet ao fazer uploads

Diferente do download, o upload é o ato de enviar um arquivo para um servidor na internet. Nessa atividade enquadram-se ações como publicar uma foto em uma rede social, enviar um vídeo para o YouTube e etc. Dentre todas as outras tarefas, esta é a que mais exige da conexão, tanto em estabilidade quanto em velocidade. E talvez seja por isso que nesta questão o percentual de insatisfeitos seja maior que nas demais. Cerca de 17.2% dos entrevistados classificam a experiência ao fazer o upload de um arquivo como ruim ou péssima. Ainda assim 50.9% dos entrevistados classificam a experiência como boa ou muito boa.


Armazenamento digital de músicas

Gráfico 09: Uso de mídias de armazenamento digital de música


Desde quase sempre as pessoas baixam música pela internet. O streaming já atinge grande parte dos internautas, mas o download de música ainda é utilizado. Sendo assim, após baixar o conteúdo, onde estes usuários que ainda preferem o download armazenam suas músicas? Os dados coletados oferecem uma visão interessante sobre isso. Aqueles que ainda fazem o download de músicas preferem armazená-los na memória interna de seus dispositivos a coloca-los em pastas no Google Drive, por exemplo. E isso faz todo o sentido. Afinal, ter as músicas no dispositivo exclui a probabilidade de perde-las caso não haja acesso a internet e etc. E esse é um fator que faz com que as pessoas não abandonem completamente a prática. A memória interna do dispositivo, escolhida por cerca de 81% dos entrevistados, representa para o usuário o lugar seguro, onde as chances de perderem seus arquivos é menor. O pen-drive, por exemplo, é escolhido por apenas 31.5% dos entrevistados. Isso deve-se, em grande parte, a facilidade de perda do dispositivo. Uma vez desconectado do computador, por exemplo, ele pode desaparecer para sempre. São diversas as análises possíveis e todas são interessantes para os serviços de streaming de música, inclusive para desmistificar determinadas práticas.


Fontes de consumo de música online

Gráfico 10: Fontes de consumo de música online mais utilizadas

Atualmente existem uma diversidade interessante de fontes de consumo de música online. Essas fontes foram agrupadas em quatro grupos principais para que fosse possível entender qual a fonte mais utilizada. O interessante aqui é entender as particularidades de cada meio, o que pode justificar a escolha do usuário e apresentar diferenciais competitivos importantes à serem agregados aos serviços de streaming. Coincidentemente, a fonte de consumo música online mais utilizada pelos usuários em questão são os serviços de streaming, com cerca de 70% das respostas. Mas considerando que os downloads em torrentes e o download em sites/blogs como download ilegal, pois estes meios oferecem um acesso não autorizado ao conteúdo, chega-se a um total de 85.2%, fazendo da pirataria a forma mais popular de consumo de música na internet. Assim como já esperado, as lojas virtuais são a escolha de apenas 16.2% dos entrevistados. A análise que se faz aqui é de que embora a pirataria ainda seja a forma mais popular de consumo de música, a indústria pode encontrar no streaming um parceiro forte na luta contra a prática.


Os streaming de música em Belo Horizonte

Gráfico 11: O alcance dos serviços de streaming de música em Belo Horizonte

Durante o processo de pesquisa, constatou-se a necessidade de mensurar o alcance dos serviços de streaming de música em Belo Horizonte, ou seja, qual é a porcentagem de usuários brasileiros que já ouviram falar em streaming de música. Apesar de não ser uma tecnologia necessariamente nova, o streaming de música chegou ao Brasil como um serviço a pouco tempo. Somando isso ao fato de até pouco tempo não se observar esforços de marketing, on-line e off-line, para a divulgação destes serviços, o resultado é bem positivo. Cerca de 81% dos entrevistados afirmam conhecer os serviços de streaming.


Motivações começar a utilizar o streaming de música

Essa é uma questão discursiva que tem como objetivo entender melhor os fatores que levaram o usuário a migrar para os serviços de streaming de música. A variedade de músicas foi o fator mais citado entre os entrevistados. Existe uma ideia, que é bastante fomentada pelos canais de mídia, por exemplo, de que os serviços de streaming de música oferecem uma grande variedade de músicas e estilos, tudo isso a um click de distância. O usuário segue seu próprio ritmo ao navegar pela biblioteca de um serviço de streaming e ali, entre 20 milhões de canções, ele tem a chance de escolher, com facilidade e rapidez, aquilo o que vai ouvir. E falando em facilidade, outro fator bastante citado nas respostas foi a facilidade para encontrar músicas. Quem costuma baixar músicas pela internet sabe o quão árduo é o trabalho de encontrar algo bom e em boa qualidade. Os serviços de streaming facilitam este caminho, na visão dos usuários. Além disso, o usuário pode organizar sua própria biblioteca e escolher os artistas que prefere. Por último, os usuários citaram o fato do streaming ser uma forma legal de consumo de música e ao mesmo tempo é gratuito


Popularidade dos maiores streaming em Belo Horizonte

Gráfico 12: Popularidade dos maiores streaming em Belo Horizonte

O interessante aqui é observar que a ordem de chegada ao mercado não afeta em nada na popularidade de determinado serviço. Como dito anteriormente, o Spotify chegou ao Brasil em meados de 2014, após Rdio e Deezer, por exemplo, mas mesmo assim é ele quem detém o título de serviço de streaming mais popular, sendo utilizado pelo menos uma vez por aproximadamente 82% dos usuários brasileiros. Deezer é o segundo mais popular, utilizado por 42%, seguido por Rdio, que está no Brasil desde 2011, com 35.2%. O último é o Google Play Music, que mesmo apresentando uma estratégia agressiva de lançamento, citada anteriormente, ainda é conhecido por apenas 17.2% dos usuários brasileiros. Deste total, 7.8% afirmam que conhecem os serviços de streaming, mas não utilizam.


Spotify, o campeão em experiência de usuário em Belo Horizonte

Gráfico 13: Melhor experiência de uso

Quando questionados sobre qual serviço de streaming apresentou a melhor experiência de navegação, os usuários indicam o Spotify, que ganha dos principais concorrentes, mesmo quando somados. Cerca de 67% dos usuários afirmam que o Spotify tem a melhor experiência em streaming de música, enquanto Deezer, Google Play Músic e Rdio somados apresentam apenas 16% da preferência. De fato, o Spotify tem ganhado as páginas de blogs especializados no assunto e vem conquistando grande relevância na indústria musical. Além disso, este serviço com uma das maiores bibliotecas de música e é um dos únicos a oferecer uma assinatura gratuita. Suas receitas se dividem basicamente em assinaturas pagas e publicidade. Esses royalties são divididos com as gravadoras, que é quem faz o repasse aos artistas. A publicidade no Spotify sustenta a parte da pirâmide que consome os serviços gratuitamente, e esta não prejudica a experiência do usuário. O Spotify tem trabalhado cada vez melhor a segmentação de campanhas dentro de seu aplicativo, assim ele tenta oferecer ao usuário apenas o que é de fato relevante para ele. Este cuidado aliado a uma interface bem desenvolvida e a um modelo de negócio ambicioso que é ao mesmo tempo criativo, fornecem meios para o Spotify se destacar no mercado brasileiro e mundial.


Fatores relevantes na decisão de aquisição de uma assinatura paga

Embora seja conhecido que alguns serviços de streaming têm como receita principal a publicidade, as assinaturas pagas ainda assumem um papel fundamental para a manutenção das atividades desta indústria. Sendo assim, a grande questão é: como motivar os usuários a pagarem por um serviço que, em suma, pode ser utilizado gratuitamente? Através de uma classificação, os usuários entrevistados elencaram aquilo que consideram ser fatores decisivos no momentode assinar um serviço de streaming.


Gráfico 14: Relevância do preço na decisão de aquisição de uma assinatura paga

O preço obviamente é um dos principais fatores a ser analisado e parece que os principais serviços de streaming no Brasil já entenderam isso. Cerca de 87% dos entrevistados classificam o preço como fator relevante ou muito relevante na decisão de compra. Deezer, Google Play Music, Rdio e Spotify oferecem assinaturas premium pelo mesmo valor, R$ 14.90. O que difere entre eles são as ofertas iniciais. Atualmente o Spotify oferece os três primeiros meses a R$ 1.99 e os demais a R$ 14.90. Já o Google oferece 02 meses gratuitos e em seguida, R$ 14.90/mês. Rdio e Deezer não possuem ofertas iniciais. Para um possível novo concorrente, fica a dica de manter os preços de R$ 14.90 ou até mesmo reduzi-los. O preço sempre será a melhor estratégia para ganhar mercado.


Gráfico 15: Relevância do volume de músicas disponibilizadas na decisão de aquisição de uma assinatura paga

A biblioteca de músicas é outro fator a ser analisado. O usuário que assina um serviço de streaming quer todas as músicas que puder ter. E é exatamente isso que mede-se aqui. Sendo assim, não é tão espantoso afirmar que 92.2% dos usuários entrevistados classificam o volume de músicas disponibilizados pelos serviço de streaming como relevante ou muito relevante. Essa é uma característica que sempre deverá ser levada em consideração ao promover um serviço de streaming e isso pode ser um dos maiores diferenciais entre estes serviços.


Gráfico 16: Relevância da qualidade do áudio na decisão de aquisição de uma assinatura paga

Os amantes de música sempre estarão atrás da melhor qualidade de áudio que puderem ter. A qualidade da música depende de muitos fatores, principalmente da velocidade da conexão. Os serviços de streaming têm tentado balancear esta equação oferecendo a maior qualidade possível em conexões medianas. E está dando certo, pelo menos para o Spotify sim. Cerca de 89,8% dos entrevistados classificam a qualidade de áudio como relevante ou muito relevante. Isso é o que complementa a experiência de uso do serviço e certamente é o que fará com que o usuário pense duas vezes ao cancelar sua assinatura. Os serviços de streaming no Brasil oferecem, em média, uma qualidade de áudio de 256kbps. É a mesma qualidade oferecida pelas lojas de música digitais.


Gráfico 17: Relevância do lucro do artista na decisão de aquisição de uma assinatura paga

Chega-se aqui a uma questão bastante controversa que está ganhando cada vez mais espaço na mídia, o lucro dos artistas. Os serviços de streaming de música não pagam um valor fixo para ter as músicas de um determinado artista em seu catálogo. Ao invés disso, o artista receberá uma quantia relacionada a quantidade de vezes que seu conteúdo foi reproduzido. O Spotify por exemplo paga R$ 0,02 a cada execução de música ao artista. É um valor extremamente baixo para um artista independente que não tem muitos fãs. Mas para uma artistas como Beyoncé, por exemplo, uma das cantoras mais influentes de todos os tempos, o valor não é tão baixo assim. O Spotify fez um repasse de mais de U$ 3 bi às gravadoras no último ano. Se continuar neste ritmo, o streaming poderá em pouco tempo compensar as vendas dos CDs. Mas ainda assim, alguns artistas não estão satisfeitos com o que vem recebendo. De qualquer modo, sob a ótica dos usuários belo-horizontinos, a grande maioria, cerca de 70% dos entrevistados, afirma que isso é pouco relevante, irrelevante ou acham que não faz diferença para assinar um serviço de streaming. E isso se comprova quando entende-se que o serviço de streaming mais popular no Brasil é aquele que repassa apenas R$ 0,02 aos seus artistas.


Gráfico 18: Relevância do conteúdo exclusivo na decisão de aquisição de uma assinatura paga

O conteúdo exclusivo é outra questão que tem ganhado espaço ultimamente. Oferecer ao usuário um conteúdo que só estará disponível em determinada plataforma parece interessante. Mas até que ponto isso é um diferencial competitivo? Não existem barreiras que a internet não possa transpassar. E é isso que está acontecendo com serviços de streaming que tentam oferecer um conteúdo exclusivo. Os usuários, com auxílio de diversas ferramentas disponíveis na rede, sempre encontrarão uma maneira de acessar o conteúdo, não importa como. E grande parte deles sabem disso. As opiniões estão bem dividas nesta questão, mas 26.5% dos entrevistados afirmam estarem indiferentes em relação a este tema. Ou seja, derrubam a ideia de que o conteúdo exclusivo faz a diferença na decisão de assinar um serviço de streaming.


Vantagens na utilização de serviços streaming de música

Nesta questão três questões bem interessantes foram levantadas: possibilidade de conhecer novos artistas através de playlists e/ou recomendações, não precisar ocupar a memória do dispositivo com músicas e a imensa diversidade do acervo dos serviços de streaming. As playlists são de fato um carro chefe destes serviços. O Spotify, por exemplo, trabalha com playlists editoriais, ou seja, este serviço possui uma equipe própria para desenvolver playlists. Tem para todos os gostos e para todas as tribos e é através dela que os usuários se atualizam e acabam conhecendo novos artistas. Além disso, no geral, os serviços de streaming permitem que o usuário crie sua própria playlist e compartilhe com os seus seguidores. As recomendações também são interessantes, pois consideram toda a jornada do usuário, tudo aquilo que ele ouviu e que selecionou como relevante. A partir destes dados, uma nova lista é gerada com o que se supõe ser compatível com aquele usuário. A segunda questão mais comentada está relacionada ao fato de não precisar ocupar a memória do dispositivo com músicas e isso faz todo o sentido, principalmente considerando que o smartphone é um dos dispositivos mais usados atualmente. Os usuários recebem diariamente fotos, vídeos e áudios via WhatsApp, além de instalar diversos apps no celular. Poder ouvir músicas ilimitadas sem ter que ocupar a memória interna do aparelho é quase um sonho se tornando realidade. Para ter toda a biblioteca de um serviço de streaming em seu smartphone, considerando 4 megabytes por música, o usuário precisaria de até 80Terabytes de memória (ou 80.000 gigabytes). Com os serviços de streaming, o usuário tem acesso a essa biblioteca sem precisar ocupar espaço na memória. O acervo, que já foi citado anteriormente como fator que influencia a decisão de assinatura e como motivação para começar a usar o streaming, retorna agora como a principal vantagem para utilizar os serviços de streaming de música. Os usuários entendem que seria praticamente impossível terem acesso a tantas músicas sem a chegada destes serviços. Além disso, trata-se de um acervo digital, com excelente qualidade de algo e que pode ser acessado gratuitamente.


Desvantagens na utilização de serviços streaming de música

Quando perguntados sobre as desvantagens, os usuários elencam apenas duas: depender da conexão com a internet e a publicidade entre uma faixa e outra. Ambas as alternativas conversam diretamente com os usuários free, ou seja, aqueles que não pagam para acessar as músicas no serviço de streaming. Embora tenha se constatado anteriormente que a qualidade da internet nem Belo Horizonte é considerada satisfatória por grande parte dos usuários, existem dias em que a conexão não está realmente boa. E nesses dias o usuário fica sem música, pois não há outra maneira de acessá-la se não pela internet. Os assinantes premium tem a opção de deixar as músicas disponíveis off-line, assim conseguem executá-las no aplicativo mesmo sem internet. Já para a publicidade, é compreensível que usuário se queixe disso. Afinal, ninguém gostaria de ser interrompido por um comercial quando está ouvindo seu artista favorito. Mas este é um mal necessário, pois a publicidade ajuda a manter estas empresas.


O que tudo isso quer dizer?

O consumidor de música em Belo Horizonte, atualmente, está a procura de um serviço e/ou produto que atenda às suas necessidades e que, ao mesmo tempo, tenha uma oferta de custo-benefício. E é isso que eles encontram nos serviços de streaming atualmente.A cultura brasileira nunca apresentou, de uma maneira efetiva e em uma linguagem comum a todos, a necessidade de pagar pelo consumo de música. Sendo assim, o raciocínio de pagar para acessar música, on e off-line, ainda é recente. Mas os brasileiros começam a entender esta necessidade e veem no streaming de música a possibilidade de consumir música de maneira legal, seja pagando por uma assinatura de R$ 14,90 que lhe da acesso as bibliotecas de áudio ou através de uma assinatura gratuita, que lhe garante acesso em troca da exibição de comerciais. O brasileiro, na verdade, está em busca de uma troca justa e é assim que serviços como o Spotify se apresentam por aqui. A certeza de que empresa e cliente falam agora a mesma língua está nos 60 milhões de usuários de streaming, apenas no Spotify, serviço que chegou ao país há apenas 01 ano, e que abrem mão do consumo ilegal diariamente.

Quando questionados sobre as razões para consumir música via streaming, os brasileiros são categoricos: diversidade de músicas e facilidade de uso. Os serviços de streaming disponíveis no Brasil hoje possuem, em média, 20 milhões de músicas. É uma trilha sonora para toda a vida. Além disso, possuem uma interface intuitiva e simples, tão simples que já está presente na vida de pelo menos 61% dos internautas brasileiros. Os serviços de streaming no Brasil pode encontrar na oferta de preço, diviversidade da biblioteca de músicas e principalmente, na qualidade de áudio, meios para convencer o usuário a fazer a transição do serviço free para o serviço pago, aumentando suas receitas e, consequentemente, ajudando a indústria musical na manutenção de suas atividades e fortalecendo ainda mais o combate a pirataria. Por falar em pirataria, os desafios ainda são grandes, mas os serviços de streaming oferecem, pela primeira vez, um concorrente com potencial para balancear o consumo legal e o consumo pirata.

A preferência por um serviço de streaming sempre estará ligada a diversidade de músicas que este oferece, sua oferta de valor e qualidade de áudio. Além disso, a presença de um determinado serviço de streaming na mídia também participa da equação e quando todas as outras variáveis são positivas, o sucesso é garantido. Um serviço de streaming musical X possui 20 milhões de canções oferecidas gratuitamente, ou através de uma assinatura mensal de R$ 14,90, onde o usuário paga apenas R$ 1,90 nos três primeiros meses. A qualidade do áudio é excepcional e sua presença na mídia é gigantesca através de parcerias com portais de notícias, sites e etc. O resultado desta equação é o maior serviço de streaming do Brasil, o Spotify com 60 milhões de usuários. Isto serve para exemplificar como estas variáveis são de fato relevantes e podem definir um caminho de sucesso ou fracasso para o streaming de música.

Os belo-horizontinos dizem que as principais vantagens do streaming estão na grande biblioteca de músicas destes serviços, na possibildiade de descobrir novos artistas graças as recomendações destes serviços. Essas grandezas estão diretamente ligadas. O usuário entende que limitar-se ao download de músicas no, cenário atual, impede com que ele explore e conheça coisas novas. Os serviços de streaming possuem ferramentas eficientes que são capazes de exibir ao usuário apenas artistas que combinem de fato com o que ele costuma ouvir e com aquilo que ele sinaliza como relevante. Além disso, estes serviços possuem playlists eficientes para quase todas as necessidades dos usuários. Se algum deles decidir dar uma festa, por exemplo, o DJ torna-se uma figura desncessária, pois no Spotify e Deezer playlists com seleções de músicas para todo tipo de festa (da infantil a ‘resenha’ com os amigos), estarão disponíveis.

Já as desvantagens ficam a cargo da dependência de boa conexão com a internet e da excessiva exposição à publicidade, no caso dos usuários free. Embora estes usuários sinalizem a qualidade da conexão como boa para executar atividades na internet, incluindo ouvir música e condirando a conexão que usam na maior parte do dia, ainda existe um receio quanto ao uso no 3G/4G, disponível principalmente em smartphones e tablets. O Wi-Fi é o mais utilizado durante no decorrer do dia, mas ao sair de casa, por exemplo, o usuário se vê preso a sua conexão 3G/4G e a qualidade deste serviço é instável, pois depende muito de região para região. A melhoria de qualidade nas conexões de dispositivos móveis alavancaria os negócios desta nova indústria, a indústria do streaming. Esta é a grande dica para o Brasil se o país tiver interesse em crescer no setor digital e oferecer mais possibilidades as empresas que já estão por aqui. Em relação a publicidade, embora esta seja de fato evasiva na maioria das vezes, é preciso conscientizar os usuários que esta prática é que lhes assegura um acesso gratuito de qualidade as músicas que tanto desejam. Além disso, os serviços de streaming podem trabalhar melhor a segmentação destes anúncios, exibindo para o usuário apenas o que é de fato relevante para ele. Esta medida amenizaria, em partes, o impacto das propogandas.

O impacto do streaming musical no cotidiano dos internautas brasileiros é evidente. Cerca de 80% deste internautas conhecem e/ou já utilizaram estes serviços de alguma forma. Este é um impacto positivo que reforça a ideia de que o streaming realmente é um aliado de peso no combate à pirataria e parceiro chave da indústria musical. Belo Horizonte apresenta-se como um mercado fértil e aberto a modelos de negócios ousados como o streaming musical. O streaming é o futuro da música, certamente. Está ferramenta tem potencial para neutralizar a pirataria. A melhoria nos serviços de internet, principalmente nas conexões 3G/4G, representa um desafio que, se superado, colocará o Brasil na rota de investimentos de empesários do ramo digital.