Reintegração de posse — atestado de óbito moral de um governo em fase terminal

Diógenes Júnior
Aug 24, 2017 · 2 min read

Desde a meia noite de hoje as ruas do Centro Histórico de Porto Alegre seguem sitiadas pela brigada militar — guarda pretoriana do governo Sartori (PMDB), que reedita no Rio Grande do Sul o que seu companheiro de legenda e golpe, Michel Temer, pratica no Brasil.

A mobilização do aparato repressivo tem como objetivo jogar na rua dezenas de pessoas que não têm onde morar, a fim de manter desocupado um prédio desabitado há anos.

A ocupação Lanceiros Negros Vivem está localizada no prédio do antigo Hotel Açores, na Rua dos Andradas, desde o dia 4 de julho.

Servindo-se dos seus mais extremos e rigorosos instrumentos de repressão, operados por um enorme contingente de policiais, o governo Sartori atua com a já habitual e injustificada urgência, com requintes de crueldade e a mais absoluta ausência de compaixão.

Ao patrimônio privado e ao suposto cumprimento de ordem judicial esse governo despótico, autoritário, truculento e repugnante dá prioridade, em detrimento de ordem judicial contra si.

Há ordem judicial expressa determinando que os salários do funcionalismo público não sejam parcelados sob hipótese alguma.

O salário de professores, policiais e demais funcionários públicos segue parcelado há VINTE MESES CONSECUTIVOS.

Triste ironia do destino: o salário dos “policiais” que fazem nesse momento a reintegração de posse se encontra na mesma condição, parcelado, repito, há vinte meses.

A reintegração de posse que está sendo realizada hoje é mais um carimbo no atestado de óbito desse governo que padece de uma doença terminal, diante de uma sociedade praticamente catatônica, isso quando não o aplaude.

A reintegração de posse realizada hoje é mais uma evidente expressão do processo de reversão civilizatória do Estado gaúcho, reinaugurada a partir do recente golpe imposto à frágil democracia que vivíamos, e que vem se aprofundando cotidianamente, com ações concretas de negação da Constituição Federal, da Declaração dos Direitos Humanos, de qualquer valor que expresse um mínimo de compaixão e respeito pela vida, pelo próximo.

O governo Sartori, com mais essa ação tão vergonhosa quanto absurda chancela a pecha de pior governo da história do Rio Grande do Sul, autenticando mais uma vez seu atestado de óbito administrativo, mas sobretudo moral.

)

    Diógenes Júnior

    Written by

    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade