Reintegração de posse — atestado de óbito moral de um governo em fase terminal

Desde a meia noite de hoje as ruas do Centro Histórico de Porto Alegre seguem sitiadas pela brigada militar — guarda pretoriana do governo Sartori (PMDB), que reedita no Rio Grande do Sul o que seu companheiro de legenda e golpe, Michel Temer, pratica no Brasil.
A mobilização do aparato repressivo tem como objetivo jogar na rua dezenas de pessoas que não têm onde morar, a fim de manter desocupado um prédio desabitado há anos.
A ocupação Lanceiros Negros Vivem está localizada no prédio do antigo Hotel Açores, na Rua dos Andradas, desde o dia 4 de julho.
Servindo-se dos seus mais extremos e rigorosos instrumentos de repressão, operados por um enorme contingente de policiais, o governo Sartori atua com a já habitual e injustificada urgência, com requintes de crueldade e a mais absoluta ausência de compaixão.
Ao patrimônio privado e ao suposto cumprimento de ordem judicial esse governo despótico, autoritário, truculento e repugnante dá prioridade, em detrimento de ordem judicial contra si.
Há ordem judicial expressa determinando que os salários do funcionalismo público não sejam parcelados sob hipótese alguma.
O salário de professores, policiais e demais funcionários públicos segue parcelado há VINTE MESES CONSECUTIVOS.
Triste ironia do destino: o salário dos “policiais” que fazem nesse momento a reintegração de posse se encontra na mesma condição, parcelado, repito, há vinte meses.
A reintegração de posse que está sendo realizada hoje é mais um carimbo no atestado de óbito desse governo que padece de uma doença terminal, diante de uma sociedade praticamente catatônica, isso quando não o aplaude.
A reintegração de posse realizada hoje é mais uma evidente expressão do processo de reversão civilizatória do Estado gaúcho, reinaugurada a partir do recente golpe imposto à frágil democracia que vivíamos, e que vem se aprofundando cotidianamente, com ações concretas de negação da Constituição Federal, da Declaração dos Direitos Humanos, de qualquer valor que expresse um mínimo de compaixão e respeito pela vida, pelo próximo.
O governo Sartori, com mais essa ação tão vergonhosa quanto absurda chancela a pecha de pior governo da história do Rio Grande do Sul, autenticando mais uma vez seu atestado de óbito administrativo, mas sobretudo moral.
