Triunfos do Nelson: relato que registra e concilia gerações

De repente a tomada foca o duelo dos sapatos e ladrilhos. “Então é o mundo. Cada um tem sua ideia. Cada um tem sua história. Eu preciso mostrar a minha”, falou Nelson Triunfo em 55 segundos do documentário, Triunfo (2014) que narra vida e obra do pioneiro da Cultura de Rua no Brasil.

Sossegado, Nelson Triunfo vem do Viaduto do Chá atravessa a Praça Ramos de Azevedo, e para com seu aparelho de som, em frente ao local que explodiu a Cultura de Rua, nas escadarias do Teatro Municipal em São Paulo, SP.

Triunfo (2014) de Caue Angeli e Hernani Ramos exibe as atividades culturais e pessoais do personagem que titula o documentário. Nelson Triunfo é o catalisador dos centros do mundo — vai de São Paulo, Berlim e Nova York.

A cidade natal Triunfo no interior do Piauí, inclusive virou nome artístico de Nelson Gonçalves Campos Filho, em Paulo Afonso (BA), quando teve contato inicial com universo musical, sua passagem em Brasília, onde morou na favela Ceilandia, maior comunidade da América Latina, e trabalhou na construção civil, até vir para sua morada em São Paulo, decido viver de dança e música.

Nos anos 70, apontam os nítidos traços da cinebiografia, Nelson Triunfo já era conhecido de “Homem Árvore” apelidado por Tony Tornado. O apelido pegou, estampando os flyer dos bailes Chic Show e Zimbabwe naquela década.

Há também narração do Thaíde, direto de uma transmissão por rádio situando biografia e história. Por exemplo: como o “Homem Árvore”, das gravações e fotos recuperadas, conheceu uma força fundamental da música.

1978, James Brown veio fazer um show no Brasil, Triunfo trocou algumas palavras com o interprete de Sex Machine. Piauí encontra Carolina do Sul, conseguindo uma proeza do quilate de Michael Jackson, recebeu das próprias mãos de James Brown sua lendária capa, perdida na mesma noite, como marcam declarações em Triunfo (2014).

Já solidificava contatos, fim da década de 70, amigo de Sandra de Sá e respeitado por Tim Maia. Parecia que sua arte precisava de outro formato, Nelson Triunfo e Funk Cia começaram ainda nos bailes, logo ganhariam as ruas da região central de São Paulo.

Xaxado, forro, coco, samba, soul e hip hop. Virado os anos 80, acontecia o primeiro encontro de break em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, assim pedia um outro tipo de ação diferente dos bailes da década anterior.

Consolidado, divide antiga e nova gerações, os que se aplumavam para dançar nas festas e os que queriam ocupar as ruas. No interim, o hip hop recebe liderança de Nelson Triunfo, sobe quadras até achar ponto/ pedra inusitados entre as ruas 24 de Maio e Dom José.

Nelson Triunfo, cativava a região que chegou a parar uma apresentação de Caju e Castalha. Lembrando que Nelson Triunfo age sempre causando surpresa, memoriza com bom humor o depoimento da dupla de repentistas.

~ ASSISTA O TRAILER:

O documentário Triunfo (2014) é permeado de falas de pessoas das mais variadas áreas da música, comunicação, dança, teatro, citando alguns: Carlos Dafé, Carlinhos de Jesus, Sergio Mamberti, Claudia Assef, Simoninha, OsGemeos, Criolo e Heloísa, esposa de Triunfo.

Costurado pela narração do Thaíde, depoimentos de convidados, e lembranças do próprio Nelson Triunfo, o documentário Triunfo (2014) é uma das obras documentais mais apuradas da atualidade — relato que registra e concilia gerações. Do mesmo modo, equilibra lírica e objetividade nos triunfos do Nelson.

Triunfo é rua, rua é Triunfo.

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