Review: Gareth Edwards’ Monsters (2010)

Os chamados “filmes de guerrilha” estão cada vez mais em voga no mundo cinematográfico, já que a partir desses projetos que surge as novas caras que futuramente podem definir como se faz cinema, e especialmente nos dias de hoje em que qualquer qualquer um dentro de sua casa pode fazer um blockbuster. Temos vários exemplos de filmes assim que hoje em dia são sucesso, mas especialmente entre Monstros e Distrito 9, percebemos algo que pode muito bem se correlacionar com o BOOM da ficção cientifica na década de 50, com ‘When Worlds Collide’ e Guerra dos Mundos.

A alguns anos atrás, foi descoberta evidências de vida em outros planetas. A NASA mandou uma foguete ao espaço para investigar mais a fundo as formas de vida extraterrestres e trazer amostras para serem estudadas na terra. Mas quando a espaçonave voltou, um acidente fez cair a nave na America Central, fazendo os seres de outro planeta dominassem uma região que vai da metade do México até um pedaço dos Estados Unidos, considerado uma “zona infectada com material alienígena”.Com a crescente multiplicação dos aliens, temos o governo dos USA e Mexico tentando conter a reprodução dos bichos.

Em torno desse cenário temos o jornalista Andrew Kaulder (Scoot McNairy), fotojornalista que é enviado ao México por seu patrão logo após que um Alien ataca o hotel onde sua filha Samantha Wynden (Whitney Able) estava hospedada. Após uma serie de decisões e acontecimentos imprevistos, Sam e Andrew terão que voltar pelos Estados Unidos pela Zona Infectada, e a partir daí eles começam não só uma jornada para casa, mas uma jornada sobre si mesmos e o mundo em que vivem.

Monstros foi feito com um baixo orçamento,até mesmo pro padrões considerados medianos,e efeitos especias bastante competentes feitos por pequena empresas de efeitos, e nesse aspecto saiu um bom resultado, especialmente em relação aos aliens, claramente inspirado pelo Cthulhu. Mas a alma do filme está no conteúdo que ele passa. Atravessa varias vertentes, fala sobre imigração, invasão de território, crise financeira (especialmente a ultima, envolvendo o mercado imobiliário), mas em especial o filme é sobre quebra de expectativas e novos pontos de vista. É sobre as barreiras que todos nós temos sobre certos aspectos de nossas vida se como faremos para atravessa-las a partir de novas experiências.

Sobre os pontos de vista, muitos são mostrados dentro do filme, todos quebrando o pensamento do “estrangeiro” perante a situação. Se em Distrito 9 temos o ponto de vista do caçador se tornando caça, em Monstros temos o olhar do publico que acompanha tudo isso ser mudado no momento que ele é sugado para dentro do olho do furacão. Seu ponto de vista muda quando está dentro de uma situação onde só era acompanhado por você pela televisão e afins. Vivenciado a tensão, a morte e a beleza do desconhecido fazer mudar a perspectiva da sua própria vida.

Mas a sutileza ultliizada do diretor de nos tornar também parte do filme ajuda muito a fortalecer a ideia transmitida. De certo modo, todo os acontecimentos ali mostrados não vão nos afetar diretamente, e ao subir dos créditos, será mais uma historia a passar por nós. Esse conceito é importante especialmente no começo e final do filme, em que o circulo se fecha em torno do fato de que realmente estamos impassíveis a certos acontecimentos,por mais felizes ou diferenciados que eles podem ser, nada vem com mais impacto que a realidade, essa mesma realidade que expõe certos elementos (importantes) do filme logo no começo.

No fim, estamos vivenciando um momento raro de acontecer, estamos vendo um gênero se reinventar. Distrito 9 e Monstros contam de maneira escapista, porém competente,um reflexo do nosso mundo e da monstruosidade que se tornou o ser humano. Ao nos globalizarmos deixamos de pensar por nós mesmos e deixamos quem tem o dinheiro controlar a situação, e a partir disso ficamos a merce daquilo que pode ser definido como verdade. Viver aquilo que pensamos que sabemos pode ser a verdadeira libertação e o começo de uma mudança que deixe as nossas vidas melhores. E assim como na década de 50, onde seres do espaço no faziam refletir sobre a guerra fria, sobre o homem matando o seu semelhante.

Filmes como Distrito 9 e Monstros fazem nos pensar sobre como sempre tentamos jogar a culpa pro outro e no fim das contas perceber que esse outro não é tão diferente assim de nós. Apesar de mais “indie” em relação a D9, o filme não faz feio e consegue empolgar e sensibilizar, e com isso se tornar um clássico do gênero.


Originally published at caveabovethemansion.blogspot.com by Diogo Oliveira.

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