Olhos calmos e um café escuro

Tínhamos vizinhos excêntricos. Éramos todos meio próximos numa comunidade confabulada com sonhos. Nossos vizinhos levavam esses sonhos ao quadrado e os transformavam em algo posicionado entre o lá e o cá. Gostávamos dos dois lugares, mas nos aliviava mesmo era ouvi-los falar. Sobre a tensão da palavra comodismo. Sobre a pressão que todos se infligiam. Sobre a necessidade de leveza. Quase uma nova regra da boa convivência. Exigente com as palavras, tranquila com os atos. Um corredor que vai a um belo lugar. De energias benévolas. Sombreamos as paredes com as canções dos vizinhos. Acho que eram uruguaios. Nunca perguntamos. Canções trespassadas de um amor dramático. Mas que teimava em mostrar um lado subversivo. Bate forte nos bumbos. Faz um café. Comunidade. Éramos há anos e nem sabíamos. Próximos e quase juntos. Não nos desfazemos de laços tão longos. A distância é quase nada. Quase uma arma que empunhamos juntos. Mas que não queremos usá-la. Atiramos mal. Sentamos em roda, mirando, mirando. Comemos a distância. Corremos, todos, por um campo vasto. Éramos um só. E tinha mato, verde, azul, floresta, mar. Olhos calmos e um café escuro. Olhos de um grão denso, acho que uruguaios, quando o liquido negro coou. Fez todos sentarem juntos. Cantamos.

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