“Liberdade, Liberdade” termina bem, mas errou em seu início

Créditos: Reprodução/TV Globo

O último capítulo de “Liberdade, Liberdade”, exibido excepcionalmente na última quinta-feira (4) concluiu a trama de forma correta, apesar da falha grave de não dar o desfecho de diversos personagens, deixando apenas os centrais mostrados ao público. A felicidade dos mocinhos revolucionários Rosa/Joaquina (Andreia Horta) e Xavier (Bruno Ferrari) foi selada, para alegria dos telespectadores, contrariando o final do livro que gerou o argumento da novela.

A novela ganhou força no seu terço final, mas foi tarde demais — O início, lento, arrastado e extremamente didático em alguns momentos, acabou comprometendo a obra. Deu a impressão de que o autor, Mário Teixeira, só moldou a história ao longo de sua exibição. De certo que novelas são obras abertas, mas não deveria ter demorado tanto para desenvolver as tramas. Talvez esta situação tenha ocorrido por conta dos estresses no bastidor da obra, envolvendo a troca de autoria, saindo das mãos de Márcia Prates, dona do argumento, por resultados insatisfatórios, conforme comunicado da própria emissora.

“Liberdade, Liberdade”, entretanto, teve como ponto positivo, justamente, a “liberdade”. As cenas de violência de forte impacto, como castração, degolas, enforcamentos, facadas detalhadas e torturas, relembraram outras obras pesadas de cunho histórico, como “Xica da Silva”, da Manchete, e a série “A Cura”, da própria Globo, que tinham a crueza nesse tipo de cena como característica. Assim como a coragem de ter mostrado uma cena de sexo entre dois homens — E lamentável que isto ainda gere escândalos na sociedade.

Créditos: Reprodução/TV Globo

Outro destaque foi o elenco. Andreia Horta finalmente conseguiu uma protagonista, defendendo muito bem sua Joaquina. Mateus Solano, com seu Rubião, apagou o “fantasma de Félix”, seu personagem em “Amor à Vida”, explicitando a versatilidade do ator. Nathalia Dill divertiu como a vilã Branca, e fez falta nesses capítulos finais, já que o autor a matou na penúltima semana. E Marco Ricca, vivendo o bandido Mão-de-Luva, conseguiu mostrar nuances que até então não podia por conta dos personagens que recebia.

A direção de Vinícius Coimbra foi correta, assim como a produção musical de Sacha Amback, que, com exceção da música cantarolada por Milton Nascimento na abertura, teve apenas músicas instrumentais em seu repertório — Curioso os temas não terem sido disponibilizados ao público, como ocorreu com a música original de “Verdades Secretas” em 2015.

“Liberdade, Liberdade” não foi um arrasa quarteirão como “O Astro” ou “Verdades Secretas”, mas nem de longe foi estranha como “O Rebu” e “Saramandaia”.

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