O Pangaré Tricolor

Eram quase 15’ do segundo-tempo na Arena Condá, em Chapecó, na noite de quinta-feira (8), quando Luan recebeu um passe de Lucas Barrios, na marca do pênalti, em excelente oportunidade de aumentar um score que assinalava 1 x 2 pró-Grêmio. Naquela moleza que lhe é peculiar, o Camisa Sete foi travado pelo lateral Apodi e, consequentemente, desperdiçou a oportunidade de aumentar a vantagem e trazer tranquilidade ao jogo.

Dentre milhares de manifestações, o jornalista Flávio Fachel, gaúcho e gremista (?), reiterou seu protesto contra o jogador por meio do seu perfil no Twitter. Só mais um a manifestar toda sua má vontade com o paulista de 24 anos. Por mais absurdo que pareça, Luan não é unanimidade entre os torcedores.

Twitter/Divulgação

Luan é um pangaré. Não tem carisma. É desengonçado, tem pé de pano e ainda boca-mole. Não é um jogador veloz e dificilmente vence no um-contra-um. Não tem o perfil do videogame e tampouco histórico de assédio por gigantes Europeus. Faz parte de (mais) uma geração pressionada pela retomada das taças, mas mais que isso, a necessidade de supremacia na Província. Soma-se a cultura local do “Santo de casa não faz milagre”.

Porém, bastou o apito final em Chapecó com placar BAILARINO pra tudo cair por terra.

Não vai uma semana, o atleta se consolidou como o Maior Artilheiro da Arena com 29 tentos anotados. Segundo levantamento do jornalista Marcos Bertoncello, da Rádio Gaúcha, em aproximadamente três anos jogando nos profissionais, tem um total de 187 partidas, com 51 gols, 37 assistências e um título. Tão difícil quanto tentar cravar a posição do jogador, é achar explicação pra tamanha imponência dos números. De contrato renovado e com a benção da Nossa Senhora da Janela de Transferência Fechada, a tendência é que atualize esse panorama e ratifique seu nome na história do clube. Em meio ao precoce e desvalorizado futebol brasileiro, estamos diante de um craque. Um craque formado e lapidado no Grêmio.

Que ao final do ano Luan consolide essa trajetória e possa alçar voos maiores em uma outra condição: a de idolatrado!

Voa, Pangaré!

A foto é de Lucas Uebel

Diogo de Souza

“Eu não sou de me exibir, eu sou de Uruguaiana”