Paulo Roberto Falcão: Quem é você, afinal?*
Não vi Paulo Roberto Falcão jogar. Juntamente com Zico e Diego Maradona, compõe uma lista dos jogadores que admiro apenas a partir dos famigerados VTs, além de ouvir meu pai e tios comentarem. “Conheci” o Camisa Cinco já engravatado, com participações homeopáticas no Jornal do Almoço, da RBSTV, e quase sempre na companhia de Galvão Bueno em jogos glamouruosos da Rede Globo. Como comentarista, (também) era diferenciado. Sempre aliou a experiência do período de volante com a elegância e a retórica de um comunicador.

Sumiu. Esteve no mesmo Sport Club Internacional em 2011 e respaldado na condição de eterno Camisa 5, comandou o elenco por insignificantes 92 dias. Reza a lenda que foi fritado pela direção da época. Torcedores racionais, no entanto, suam frio ao lembrar que a incompatibilidade com a direção é uma mera cortina de fumaça que sobrepôs um trabalho que chegou no teto do razoável. Antes passou por Seleção Brasileira e futebol Mexicano. O saldo foi manter a imagem de eterno Camisa 5 e Rei de Roma. Pós-Inter passou pela Bahia, no Bahia e pelo Sport, no Recife. Hoje só é lembrado por comandar a equipe sob a sombra de seu chapéu Panamá.

Amanhã, a partir das 11h, Paulo Roberto Falcão deve, se não oficialmente, tecnicamente (re)estrear no comando do time. Depois de uma semana de treinos, experimentos e uma contratação “de lotar aeroporto”, o Inter encara a ajustada Ponte Preta, no Moisés Lucarelli. Falcão e o time do Inter entrarão duplamente pressionados: o resultado e a atuação.
Amanhã, inclusive, é o primeiro passo para saber qual será a toada desse “novo” Falcão à frente do Colorado. Eu torço, confesso, assim como a metade rubra de todo o Estado. O que deixa no ar toda essa névoa de desconfiança é saber que seu maior trabalho, desde que pendurou as chuteiras, foi ser o de Colunista Mais Lido da Zero-Hora.
Diogo de Souza.
“Eu não sou de me exibir, eu sou de Uruguaiana”
* Texto publicado na edição do dia 23 de julho, do Jornal da Manhã — Ijuí