Super-heróina*
Toda criança busca um super-herói. Na mesma levada em que somos doutrinados a acreditar nas pegadas adesivas do Coelho da Páscoa, ou da entalada fajuta do Papai Noel na chaminé, colamos o pôster de seres imateriais com aquele LEQUE de poderes sonhados, sobretudo, no momento de risco iminente. Paralelo ao amadurecimento individual, aquele CREDO passa a ser admiração até materializar-se no inconsciente-infantil como o super-herói favorito, usado (também) naquelas perguntas de segurança antes de cadastros cibernéticos.
O que me traz aqui, no entanto, é a contramão desse processo natural. São os super-heróis que não vestem capa, tampouco máscara, não estão no imaginário e nem possuem uma ESPADA-XIM na cintura. São de carne-e-osso e por vezes são tachados de inimigos, dependendo do tamanho do PITO. Vou além ao afirmar que nesse caso, não só dividiu um teto comigo por pelo menos 19 anos, como me carregou na bolsa ao melhor estilo CANGURU.
Nesse 28 de junho um dos meus personagens favoritos nascia há 60 anos. Sigo à risca essa linha do tempo traçada pelo amadurecimento e deixo Batman e Gothan City naquele canto infanto-juvenil-eterno, pra reverenciar essa super-heroína que hoje passou a ser sexagenária.
Antes de desejar as maiores felicitações do mundo, vim aqui pra dizer que te emoldurei na parede da minha vida. Assim mesmo, sem máscara, sem capa e muito menos poderes sobrenaturais. Apenas com teus ensinamentos, tua força e esse dom que há seis décadas te foi concedido: ser (nossa) mãe.
Feliz aniversário, minha heroína.
Um beijo, te amo.
*Texto publicado em junho de 2015
Diogo de Souza
“Eu não sou de me exibir, eu sou de Uruguaiana”
