SONHO

De repente acordei. Imediatamente fechei os olhos implorando a meu subconsciente para que pudesse voltar a sonhar. Exatamente para o mesmo momento queria voltar, queria estar ali, desejava com todo meu ser estar ali.

Senti meu coração acelerar conforme não conseguia voltar, sentia a exasperação crescer e me inundar. Uma espécie de desespero consciente.

Estava tão envolvido. Estava tão verdadeiro que sentia-me inteiro.

Durante a vida, as problemáticas que são apresentadas — direta e indiretamente — tendem a nos petrificar, e desta forma nos distanciar de sermos autênticos, de sermos espontâneos.

Apartamo-nos de tantas coisas pelo simples fato de tentar, arriscar, permitir ser. Palavras e sentimentos são engolidos a força com intenso sabor de amargor.

Tornamo-nos covardes.

Conforme o tempo passa, deixamos a responsabilidade do surpreendente sobre o acaso e até mesmo sobre nosso subconsciente. Verdade a qual observamos por meio de determinados sonhos — estes por sua vez, através da irrealidade e da imaterialidade nos propíciam a experiência passageira que poderia muito bem acontecer no plano real do dia a dia, se pelo menos acreditássemos no lado puro e intocável do ser. O impulso natural que matamos antes mesmo de nascer.

Adultos natimortos.

Tornar-se adulto assume o significado de que o belo, o nu enroupado, deve ser controlado.

Tantos filtros, tantos limites, tantos medos. Criados, instituídos, regulados e aceitos por nós mesmos.

A vida vai virando um jogo de abster-se. De negar-se. Limitar-se. Apequenar-se.

Um tremendo erro.

A era backspace acontecendo.

Memórias e lembranças ganham locais de destaque, são inegavelmente melhores do que a própria realidade, pois cada vez mais momentos memoráveis deixam de existir.

Sol que se Põe antes mesmo de seu nascer.

Capítulos em branco.

A vida é como um rio com várias corredeiras e de fortes correntezas. Os remos estão em nossas mãos, jogá-los-emos ao rio ou encararemos tal aventura de peito aberto e coração?

Reflexão:

“THE VEIL IS WHAT BLIND US

True maturity is standing naked. Letting all these ideas that you call a mind that have been accumulating like dust since the day you were born go. Just unlearning them. Taking off the veil. Then there is a little freedom.

If the river was told it had only one path to follow, there would never be the ocean. If the flower was told there was only one way to unfold, there would never be the spring. If the seed was told there was only one tree to become, there would never be the forest.

Umair Haque”.

Ame — não em silêncio — demonstre, diga! Aja, agora.

Viva — não somente acorde e vá deitar-se! Faça algo novo e surpreendente!

Seja humano. Seja inteiro. Seja intenso e seja verdadeiro.

Antes que seja tarde.