Alguns pensamentos sobre a eleição, ou Dilma x Aécio.

Li em algum lugar que o Fernando Meirelles — diretor de Cidade de Deus — declarou não conseguir ser pragmático a ponto de aceitar alianças com Sarneys ou Barbalhos.

Alguns anos atrás, quando ainda era ministra da Casa Civil, a Presidenta Dilma deu uma resposta lindíssima a um daqueles senadores raivosos do DEM, não me lembro qual deles, sobre o comportamento que adotou quando foi torturada. Naquela ocasião Dilma deixou claro que mentir para os torturadores era certo e necessário, tanto para garantir a própria vida quanto para garantir a vida de companheiros.

Hoje Dilma é a principal líder de um país com dimensões continentais e com a população diversificada a ponto investir José Sarney, Jader Barbalho, Jean Wyllys e Jair Bolsonaro em importantes cargos públicos, ao mesmo tempo.

Sarneys e Barbalhos são produtos do Brasil, e de certa forma são a cara do Brasil — ou pelo menos uma das caras do Brasil. Graças a Deus o Brasil tem outras caras, como a do Jean Wyllys, ou do Suplicy, ou da Manuela D'Avila, ou do Leonardo Boff…

O(A) Presidente(a) da República Federativa do Brasil precisa criar um ambiente político adequado para governar. Não importa qual é a composição do Congresso Nacional ou quais são as lideranças regionais de momento. A alternativa à isso é torrar quatro anos reclamando enquanto a população espia seus pecados entregue à própria sorte.

Dessa forma, passar por cima dos nojinhos infantis, e se relacionar amistosamente com Sarneys e Barbalhos é motivo para admiração e não censura. Oxalá em pouco tempo não tenhamos mais Sarneys e Barbalhos.

Para nosso alento, ainda existem políticos de caráter, engajados na luta pela justiça social. Foi o que nos mostrou a Luiza Erundina ao recusar apoiar Aécio Neves, e de forma brilhante o Roberto Amaral, ao declarar apoio à Dilma. Brilhante não pelo apoio em si, mas pela firmeza dos argumentos. Se alguém conseguir argumentar com tanta retidão em favor do Aécio, receberá a minha admiração.

O Sakamoto, que escreve no UOL, disse em um artigo que dignidade não precisa ser conquistada, é um direito que todo indivíduo adquire no momento em que nasce. O que ele chamou de dignidade pode ser definido como o conjunto das condições mínimas para brigar com razoável chance de sucesso nessa nossa sociedade. Alguém se atreve a ir contra isso?

O meu direito a ter um carro, uma fazenda ou dinheiro em banco vem depois do direito de toda criança a ser amamentada pela mãe, que deve estar bem nutrida. Alguém tem coragem de dizer que um indivíduo que não trabalha, não deve poder fazer as três refeições diárias?

Como muitos dos nossos compatriotas ainda não têm acesso a tal dignidade, eu só admito discutir voto em função dela, da dignidade. Quando todo brasileiro, ao nascer, for um competidor com chances reais de vencer, eu aceitarei utilizar outros parâmetros.

A maioria dos meus amigos dizem: Mas Diogo, só existe um caminho para alcançar essa dignidade… O livre mercado. Vão para as putas que lhes pariram… Qual o paradigma de livre mercado? Estados Unidos? Quero não, obrigado. Alguns países realmente conseguiram criar uma situação legal para a maioria da população… Vão lá ver se foi por causa de livre mercado.

Ai eles falam, mas o PT é corrupto, precisamos mudar.

Como eu já disse em outro texto, “precisamos mudar” é falácia pura. Se tivéssemos Dilma e Hitler, votaríamos em Hitler? As pessoas votam no Aécio porque querem votar nele, porque ele pegou a Gisele Bundchen, por que ele anda de Land Rover, sei lá porque.

Agora vamos falar sobre corrupção: Consta que Aécio foi funcionário fantasma da Câmara. Parece também que o Francisco Dornelles — primo de Aécio — fez dele diretor da CEF aos 25 anos. Está registrado também que o nosso ilustríssimo ex-presidente José Sarney concedeu a Aécio umas frequenciazinhas de rádio, um mimo. Isso sem dizer nas coisas do PSDB: Trensalão, Mensalão Tucano, Lista de Furnas, Compra de votos para reeleição.

Ai vem o outro e diz que o problema não é a apenas a corrupção em si, mas o projeto do PT de se perpetuar no poder, uma coisa meio bolivariana, meio ditatorial. Em primeiro lugar: Vão estudar sobre Cuba e Venezuela antes de falar besteira. Depois de estudar percebam que, desde a reabertura política brasileira, apenas um presidente modificou leis para se manter no poder… Parece que foi o Fernando Henrique Cardoso… Tucano.

Então quem quer votar em Aécio que vote, mas é mais bacana ser honesto e expor os motivos verdadeiros.

Eu fico com a justiça social, com as cisternas no Nordeste, com o Bolsa Família, com o Luz para Todos, com o Minha Casa Minha Vida, com o Mais Médicos, com as escolas técnicas, com a interiorização da Universidade Pública, com o Prouni… Mais do que isso: eu voto na Dilma porque acredito que além do governo, a sociedade brasileira precisa se transformar, e das duas opções disponíveis ela é a que nos empurrará mais nessa direção.

ps.: Tudo que estiver sublinhado é link…

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