O mito do TAMO JUNTO

Uma reflexão sobre os tempos pretensamente "colaborativos" em que vivemos

Já ouvi muito: "Conte com a gente, tamo junto". E, otimista que sou, acreditei. Afinal, por que alguém diria isso de graça? Só que quando você precisa de algo, o povo some.

Quem tem um projeto independente sabe que para contar com a ajuda de alguém você tem que ter algum benefício muito claro a oferecer, na grande maioria das vezes. Se você não for grande, influente ou rico, vai ficar a ver nau TAMOJUNTO passar ao largo.

Mesmo que você tenha se desdobrado para jogar em equipe quando os outros precisavam, vai ficar na mão quando a ajuda for mais necessária. Será ignorado sumariamente e tratado com um certo desdém.

O pessoal "grande" não entende que os pequenos só sobrevivem mesmo com muita ajuda de quem ter algum poder nas mãos. Ou finge que não entende. De boas intenções a bancada BBB está cheia. Na hora H, todo mundo opta pela inércia.

Seu projeto é "essencial", "importante", "com um tremendo potencial" até o momento em que vive precisa de ajuda para transformar o potencial em movimento. Aí, forma-se um deserto.

Vejam bem, exceções existem sim. No entanto, em 90% dos casos, essas pessoas não falam: elas fazem. Ajudam e se deixam ajudar numa troca sempre rica. Mas elas são a exceção. E, salvo engano, não dizem "tamo junto".

Chamem-me de amargo por publicar este texto. Estou, vejam, cansado de falso entusiasmo. Prefiro lutar contra os moinhos de vento acompanhado dos Sanchos Panças com quem milagrosamente topo do que ouvir o canto das Sirenas e navegar em direção ao deserto carregado pelos ventos da decepção.