Reflexões de um domingo a noite

(sim, é possível usar o domingo a noite para algo legal!)

Esse texto surgiu por dois motivos: conversas com algumas pessoas, e um filme que eu vi no domingo. É um filme não tão recente, de 2013. Foi indicado, e eu adorei a indicação. De início, não parece um filme sensacional (talvez você ache, ou não ache, não importa), mas ele me fez refletir bastante; vi de tarde, e fiquei até de noite pensando nele — sou assim, quando fico com algo na cabeça, vou longe. E me identifiquei com o personagem principal, então, fez eu pensar demais. Essas são algumas das reflexões que fiz com o que vi no filme e com algumas conversas recentes.

Eu não consigo entender qual a dificuldade que as pessoas têm de ser objetivas. Se quero algo, digo que quero; se não quero, digo que não quero. Não tenho meias palavras (embora eu sempre cuide para não ser rude — e as vezes falhe miseravelmente); falo o que penso sobre aquela situação, não o que as pessoas querem ouvir.

Eu não sou desses que fazem joguinhos. Se estou interessado, falo. Falo todos os dias com você, mando coisas que me interessam, coisas que eu acho que você se interessa. Links para textos, links para imagens, links para vídeos. Não sei disfarçar quando estou interessado, e quero saber tudo da pessoa pela qual me interessei. Vejo com indisfarçável interesse tudo que ela me mandar.

Fico pensando assuntos para puxar, sempre que eu posso. Falo de minhas conquistas, não para querer aparecer, mas para mostrar que sou alguém que luta pelos objetivos. Para compartilhar minha alegria com alguém que eu goste. E quero saber tudo de você. Quero que você divida as suas conquistas e as tristezas comigo. É minha forma de dizer que algo em você, não importa o que seja, me atrai (mas já adianto que deve ter a ver com o intelecto).

Infelizmente, tenho que me policiar; se eu for interessado demais, já sabemos o fim, certo? Paradoxalmente, procuramos algo a mais (não apenas um rostinho bonito); mas quando alguém oferece, nossa resposta é “ah, você é legal, mas [complete aqui com uma desculpa qualquer]”. Porém…. Se eu não procurar mais a pessoa, é porque ou percebi que a pessoa é desinteressante, ou desinteressada. Se for esse segundo caso, tento detectar rapidamente se ela está realmente desinteressada, porque não despertei nenhum interesse nela, ou se ela está fazendo joguinho…. Se for esse o caso, ela se torna automaticamente desinteressante, e eu descarto qualquer tentativa de puxar assunto novamente.

Quando encontro alguém que me atrai, quero falar sobre as grandes questões da vida; o que estamos fazendo aqui nesse mundão? Por que desperdiçamos tempo com coisas que não queremos fazer, e não damos atenção àquelas que realmente importam? Fiquei me perguntando: quando foi que encontrei alguém que fosse capaz de acalmar a minha alma? Não tenho certeza. Oferecer profundidade em um mundo tomado pela pressa, pelo raso e pela futilidade, é difícil.

Pensando nisso, fiquei refletindo: quantas coisas gostaríamos de fazer e não fizemos? Quantas chances deixamos passar, e não poderemos voltar no tempo, como no filme, para corrigi-las? Quantos momentos gostaríamos de reviver porque naquele segundo, não estávamos com a cabeça ali, mas pensando em outras coisas? Quantos momentos poderíamos ter aproveitado se não ficássemos nessa preocupação de “será que estou demonstrando demais?”. E quantos momentos não teríamos aproveitado se não ficássemos pensando “ele (a) demonstra demais, vou ignorá-lo (a) para ver até onde vai”. Como uma amiga me mostrou esses dias, quantos “eu te amo” não foram deixados guardados, por medo de demonstrar demais? E quantos momentos desses nós gostaríamos de voltar atrás? Triste né? E não estamos num filme; não podemos voltar no tempo. Teremos que conviver com isso, para sempre.

Então, tente não desperdiçar essas chances. Quando encontrar alguém com quem você puder discutir algo que você goste, não faça joguinhos. Aceite o convite para um café. Saiam, e conversem. E aproveite cada segundo, juntos. No máximo, você pode ganhar um amigo (ou melhorar a amizade), e talvez um companheiro para as viagens da sua cabeça. Ou para não fazer nada, só ficar de boas na praia, com um pôr do sol bonito. Mas não faça joguinhos; é melhor para todo mundo.