Meu casulo
manifesto da minha solidão

Tão distante. Vejo tudo tão distante. Observo tudo enquanto estou alheio, invisível. Os toques me ferem, evito, ou tento, sem nunca conseguir. Feridas de tentativas falhas, lágrimas que tentam curá-las. Tudo escorre pelos dedos e se distanciam, eu mesmo escorro por meus dedos e perco a mim mesmo enquanto me fecho ainda mais num casulo de inseguranças, medos e um ar frio e vazio.
Um claustrofóbico preso em um casulo. Arranho a parede do casulo com as unhas para tentar abrir uma fresta para passar o ar, quero respirar. Cada fresta aberta no casulo abre feridas em meu corpo. O casulo sou eu. Como abrir o casulo sem se ferir? Como não se ferir? A grande dúvida dos acasulados é sempre essa, mas será possível não se ferir?
Eu só queria respirar, nem que fosse um pouquinho de ar por algumas horas. Eu nunca quis fazer de mim um casulo para me aprisionar. Sou claustrofóbico, já disse. O grande problema do casulo — além da claustrofobia — é ficar só… só eu lá, mais ninguém… pequena solidão. Quando estou lá fechadinho em mim mesmo, vejo meu si próprio: encontro toda a minha podridão fétida. Tenho um desprezo enorme pelo que vejo, desprezo de si. Ao mesmo tempo, não ter ninguém ali junto me faz pensar se sou desprezado por outros também, ou se eu que me fechei desprezando tudo que podia me desprezar. Será que eu me desprezo sozinho? Se sim, estou ainda mais sozinho… eu acho.
