Bullying, suicídio e convivência escolar

Lélio Braga Calhau. Promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais. Mestre em Direito do Estado e Cidadania — UGF-RJ. Graduado em Psicologia — UNIVALE. Especialista em Psicanálise pela UNIVALE. Especialista em Direito Penal pela Universidade de Salamanca (Espanha). Autor do livro Bullying: o que você precisa saber, 4ª edição, Rodapé, Belo Horizonte, MG, 2018, entre outros. Recebeu da Frente Parlamentar Antibullying da Câmara dos Deputados a comenda “Embaixador da Paz” pelo seu trabalho na área. Escritor, palestrante e professor há 22 anos.

Lidar com o bullying não é uma tarefa fácil para ninguém. Trata-se de um assunto que mexe, realmente, com as nossas emoções. Quem nunca foi vítima ou presenciou outros colegas inocentes sendo alvos de perseguições dentro de escolas?

Recentemente, os temas bullying e suicídio foram reavivados com o lançamento do livro Os Treze Porquês, do escritor norte-americano, Jay Asher, e da série derivada lançada pela Netflix, que já está na segunda temporada.

Gostando ou não do livro ou da série, é inegável que ambos tiveram o mérito de chamar a atenção para o assunto, bullying e suicídio, no meio social. Muitas perguntas surgiram. Questionados por muitos jovens, tivemos, mais uma vez, a comprovação de nossa inabilidade em tratar os dois temas isolados e, mais ainda, conjugados.

Se a boa convivência mantém o ambiente escolar mais saudável (inclusive no plano emocional), e isso deve ser uma de nossas bandeiras, mesmo com todas dificuldades, não podemos deixar de atentar que sinais de que “algo está errado” com um determinado aluno ou aluna podem ser visíveis na escola antes da ocorrência derradeira de uma tragédia.

E se houvesse uma melhor formação dos educadores e funcionários administrativos, com a atuação integrada de um profissional da Psicologia, entre outras iniciativas, poderia haver um cuidado melhor e com mais escuta, para tentar ajudar uma pessoa, que esteja querendo desistir de viver.

O diálogo em casa é essencial para que os pais possam, caso surjam indícios de que o filho vivencia problemas emocionais com o bullying ou cyberbullying, oferecer o apoio sincero da família e o encaminhamento rápido para um profissional da saúde (psicologou ou psiquiatra), se for necessário.

O Setembro Amarelo é uma chance oportuna para se conversar com os filhos, levando o apoio efetivo da família e da escola, para gente que busca apenas ajuda para uma grave e transitória situação pessoal. Elas, apenas, querem a sua ajuda !

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