Você não pode culpar os outros pela sua infelicidade

A frase acima é repetida em diferentes momentos de um episódio de “Flaked”. Na série, original Netflix, temos personagens não exatamente felizes, sem grandes perspectivas, com vidas constantemente atormentadas por seus erros — do presente e do passado.

O protagonista, Chip (Will Arnet), é um ex-alcoólatra, acusado de matar um rapaz em um acidente de carro enquanto dirigia bêbado. Ele luta cotidianamente para sustentar uma vida pautada em mentiras, ao passo que dá conselhos e ajuda pessoas em recuperação nas reuniões do AA. Seus relacionamentos são invariavelmente frustrados, seja com amigos ou com mulheres.

A série é curta, são apenas 8 episódios de 30 minutos cada. Mesmo assim, só diz a que veio nos três últimos capítulos. Buscando críticas sobre a produção, encontrei um post no Tumblr que a classifica como “pijaminha”, isto é, “aquele seriado de meia hora que você só vê para dormir gostoso depois”. Achei bem pertinente, pois, apesar de alguns diálogos bem interessantes e das reviravoltas na reta final, não há nada de muito novo sob o sol. Marasmo, talvez, seja a palavra de ordem nesta narrativa.

Num todo, é uma série que merece ser assistida. Assim como “Love”, também da Netflix, a falência das relações interpessoais assume o papel de protagonista, nos causando certo incômodo, certo desconforto. A ausência de conclusões deixa a trama aberta — a uma segunda temporada ou a divagações por parte dos expectadores.