Conheça: Ideologia e utopia

Karl Mannheim, (Budapeste, 27 de Março de 1893 — Londres, 9 de Janeiro de 1947)[1,2] um dos principais sociólogos do início do séc. XX e das balizas da sociologia do conhecimento[3]. Nessa edição que reúne um ensaio para a edição inglesa o autor mostra os interesses que a sociologia do conhecimento deve ter para conhecer os fatores determinantes do conhecimentos.

Karl Mannheim
É nossa tarefa aqui não só indicar o fato de que pessoas em posições sociais diferentes pensam diferentemente, mas tornar inteligíveis as causas de sua diferente ordenação do material das experiências em categorias diferentes. (MANNHEIM, 1986, p. 296)

Mannheim era um homem bem ciente de diferentes empreendimentos do conhecimento e nesta obra vemos referências a, na época, recentes descobertas da física quântica a psicologia freudiana e a gestalt e como podem beneficiar a sociologia do conhecimento. O autor possui fortes influências marxistas marcadamente em seu livro, porém em questões puramente metodológica seu viés positivista ganha forte tônus.

MANNHEIM. Karl. Ideologia e utopia. Traduação de Sérgio Magalhães Santeiro. Prefácio de Louis Wirth. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

A edição reúne o total de cinco artigos dos seus artigos originais que intitulavam essa compilação (1929) e sendo os artigos I (1936) para a edição inglesa e V (1931) como verbete originalmente para o dicionário de sociologia de Alfred Vierkandt. Nessa antologia Mannheim desenvolve seu conceito de intelligentsia e como essa classe atuará para as resoluções de conflitos na sociedade.

O artigo I pela situação de sua criação é um visão abrangente para se introduzir as questões e métodos da sociologia do conhecimento.

Os três artigos seguintes tratam das relações que as ideologias e utopias repercutem nos indivíduos. O autor não faz uma redução dos interlocutores como se suas asserções por terem origem em um local, tempo e condição existencial (perspectivas e influências sociais):

Neste sentido, as análises características da Sociologia do conhecimento não são de modo algum irrelevantes para a determinação da validade de uma afirmação. mas por outro lado tais análises, por si sós, não revelam completamente a verdade, porque a mera delimitação das perspectivas não é de modo algum um substitutivo para a discussão direta e imediata dos posto-de-vista divergentes ou para o exame direto dos fatos. (MANNHEIM, 1986, p. 306)

A intelligentsia é uma classe social desvinculada das perspectivas e interesses em disputa na sociedade e seu treinamento permite que desfrutem de meios para ter objetividade, pois são desvinculados de interesses.

Mannheim desenvolve sua dinâmica entre as ideologias e utopias em conjunto com sua teoria histórica o que pode ser um pouco denso, mas algumas releituras podem superar as dificuldades.

O último artigo fecha de forma elucidativa ressaltando pontos principais e direções que a sua sociologia do conhecimento pode seguir.

O autor morreu ainda muito jovem (54) mas sua obra ainda repercute não só na sociologia do conhecimento e sociologia em geral como suas implicações políticas. A obra é de importância não apenas para sociólogos e filósofos, como história e demais ciências sociais.


Referências

[1] KARL MANNHEIM. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2014. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Karl_Mannheim&oldid=40306777&gt;. Acesso em: 7 ago. 2016.

[2] MAZUCATO, Thiago. Ideologia e utopia de Karl Mannheim: o autor e sua obra. Prefácio de Vera Alves Cepêda. São Paulo: Ideias & Letras, 2014. (Série Pensamento Dinâmico).

[3] MANNHEIM, Karl. Ideolgoia e utopia. Tradução de Sérgio Magalhães Santeiro.Prefácio de Louis Wirth. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.