Para minha mãe

Como pôde ter minha infância passado de forma como passam as horas de uma manhã de sábado? Eu não vi passar.

Mas você viu.

Viu porque me serviu incontáveis xícaras de chá imaginário em louça de plástico. E, sem entender, me pergunto como pôde ter sido tão imensamente doce o sabor daquele chá sem qualquer consistência, que tomávamos por horas a fio, por insistência minha.

Crescemos juntas: quando criança costumava pensar que você era criança também.

E, de toda sua paciência, restou-me uma criação tão excelente que me cabe agradecer. Foi mais que mera ensaiada educação: aprendi a ser sensível diante do turbilhão de incertezas de um mundo inconstante como este, aprendi a sentir a dor das pessoas que precisam de mim.

Não nos servimos mais chás imaginários em xícaras de plástico. Uma pena. Mas conviver com você continua tão doce quanto a infância que passou diante dos nossos olhos.

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