Cachorro em anúncio

Afinal, os telhados não vão ser ouvidos, o ar da noite tem perdido propriedades. Aguardando em assentos públicos, não um rosto; com uma palavra deve definhar, quase satisfeito. Intenta fugir, com um triste sibilo de porco, é possível sufocar a vida sem alarme; beliscam suas fucinhas adoráveis perfiladas no corredor. Os jardins já partiram para a Tunísia.

Se o sono traz amnésia, a remissão morna dos pomos e umidade drenada, mas conceda oportunamente e entre; dê uma olhada nas camas partidas. Há coisas que guardei, para reviver tempos de guarida; tigres gordos depenados na sala, com barrigas quentes — hoje, o céu borrifa antibiótico nas janelas; as abríamos pela manhã. Com ansiedade viola um quadrado de arestas trêmulas, acovardadas no mugir de uma multidão fremente — considere dissipar-se. Sobretudo, algo escapa; o sol não enxuga hoje a roupa úmida que usava. Lembre das folhas; será que persistem nas árvores, balançando, roçando as ruas do bairro, não registradas em mídia durável. Saindo das casas com as câmeras — as crianças. Esses — olhe ao redor — serão os primeiros registros a erodir; o gérmen dos precipícios acolhidos nas mãos. Cedo ou tarde, é claro, acordam limpas. Tenta esconder um Kalahari cenográfico, observem; a intimidade é só halitose. Como esperado, a papa na boca assimétrica. Cabe aos responsáveis introduzir o fura-bolo; confortá-la com uma nova mãe, que mimetize transpiração; uma vagina indolor, onde se enfiam projetos. A respiração sonolenta pode soprar as paredes embora; onde vai estar? — Não imune à imprecisão browniana; tomem-se as medidas; circunstancialmente, não há como resgatar todos, içar escafandristas. A lei, irrevogável. Perdidos no metrô, evitando a madrugada; a terapia varia. Somos, é claro, redutíveis — por favor, segure nossas mãos. Nos carregue; o sonho é uma emboscada doce. Forçando e desprendendo as falanges de velhos travesseiros fracionados, conserve-os em criogenia.

Com sede procedimental renovada, voltada às novas mãos que desfilam condenando, testemunhava a vivissecção dos velhos doces de confeiteiro, acolhido por sonhos de dedos anônimos. Sussurre uma melodia, algo que antes lhe faria dormir; pode-se viver num ponto cego, afinal. Se as pálpebras fecham, mas os olhos seguem abertos, culpe os oceanos punctiformes extraviados no ar; a persistência da finitude nas sombras do estacionamento dominical, o Plasil da penitência para o golfar da coerência imóvel, teta sobre pálpebra como o cheiro das cortinas, foge gradual à memória, sua trajetória fosforescendo numa ranhura da noite.

*

Pele de cavalo cobre um rosto, que se acomoda nos vértices; cave. A madrugada vem; fica tarde para ver caminhões passando sobre os lençóis; dorme.

Deixados assim, sem sofás — por acidente, quebram as luzes.

A vida se adultera, solipsisticamente, num elevador.

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