A maternidade compulsória não é sobre a mãe e o filho, é exclusivamente sobre a mãe , de como ela vai lidar com os seus deveres. Maternidade é um dever a ser cumprido.

Uma mulher não pode pensar em negar a “benção” da fertilidade,tampouco se negar a prosseguir na maternagem. E esse texto não é sobre métodos de previnir ou abortar, não, acho que já discutimos isso no nosso dia-a- dia (Não que seja um avanço) .

Isso é sobre entrar na maternidade,é sobre a falta de escolha depois que todas as alternativas foram eliminadas. A Maternidade compulsória tem como conceito a obrigatoriedade, ou seja,quando a única opção é aceitar algo mesmo que você não queira.

Estar dentro dessa realidade me fez ver como está situação é abrangente e como condiz, também, com as questões do aborto e como se trata de cuidar da saúde mental dessas mulheres. O ruim em si não é a relação mãe e filho, é como se chega nela. É como se tudo fosse um desafio, até se responsabilizar em assinar uma simples declaração de autorização escolar.

Eu consigo imaginar a que ponto dessa romantização fica uma mãe que joga um bebê no lixo, por exemplo. Não é questão de ser sem coração ou desumana, diversas coisas na vida dessa mulher fizeram com que essa “futura mãe” chegasse a determinada decisão . Podemos ver mais sobre aqui

Outro fator é, ainda hoje por conta de uma cultura cristã e patriarcal é ligar a mãe a santidade, o que impulsiona o pensamento de que mãe não pode errar.

Mães desenvolvem transtornos psicológicos, desenvolvem depressão e na maioria das vezes ficam sem entender suas próprias reações e atitudes e se culpam o tempo todo. Isso não está diretamente ligado ao puerpério, mas sim a tudo. Apesar de falarmos pouco do puerpério, que podemos ver mais aqui.


Se eu fizer uma análise da publicações referente às mães no meu Facebook, vai ser quase tudo sobre cobranças. Das mães que não vêem, das que não falam, das que não agem, das que agridem. E é sempre isto.

A gente não escuta, não se desvincula dessa idéia de que as mães suportam tudo e de que são obrigadas a suportar porque escolheram estar ali.

Vale também dizer que a rejeição a maternidade não é um ódio a criança(dou nem moral pra quem diz isso)mas aos processos de opressão que essas mulheres sofrem durante a vida sendo lidas apenas como super mãe. Acredito não precisar falar das diferenciações sociais.

Ser mãe é viver sozinha,e negar a maternidade nada mais é que não aceitar todas as regras que são postas Guela abaixo dessas mulheres que são excluídas a luz do dia. É necessário falar dos conflitos da maternidade além do bebê, do recém nascido. Falar de como lidar com a responsabilidade de uma vida, ou melhor,de duas. De como lidar com o apagamento dos seus sentimentos e emoções.

Imagem que relata uma violência obstetrica

Eu não aceito essa maternidade,que vem durante a tempos apenas me colocando num papel de “ mais uma”, de uma estatística, que não respeita o mínimo que é o nascer. Ao mesmo tempo que negligenciam a vida das crianças, também ignoram a saúde física e mental dessas mães .

No padrão patriarcal eu nunca fui mãe e também não quero Ser, não o que eles querem.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Daniela Lourenco’s story.