Eu matei quem me matou.

Minha mãe.

Há uns tempos venho me questionando o que suga minha felicidade, o que suga minha vontade de viver e demais coisas. Até me dar conta de que toda culpa é da pessoa que mais amo, minha genitora.

A “aceitação” da minha sexualidade se transformou numa arma de ataque ao meu eu interior, o prazer em me rebaixar e me humilhar se tornou uma válvula de escape para seus problemas, dos mentais aos do dia a dia. O meu sorriso passou a lhe incomodar, a minha felicidade a lhe afetar, mas não da forma que eu queria -que lhe fizesse bem, até porquê dizem que para uma mãe, a felicidade de um filho também é a sua- e sim de uma forma ruim, de uma forma que minha depressão e ansiedade, que antes controlada com medicamentos, agora voltasse com mais intensidade.

Entretanto, decidi podar pela raiz, decidi matar quem eu mais amo, decidi por um fim num vínculo que jamais pensei que tivesse que findar. Por hora, deixei de falar com ela, distanciei-me, quando me dei conta, ela já não mais fazia parte dos meus planos, já não mais fazia parte da minha vida.

Moro com meus pais, um irmão e um coitado de um tio. Meu pai nunca afetuoso, meu irmão um estranho e a genitora, uma doente mental e física, meu tio não há o que falar sobre. Talvez soe pesado tudo que esteja aqui, tudo que escrevo e exponho, mas é a real. É o que sinto, o que preciso sentir para que possa viver.

Vivo numa casa onde nem meu quarto é meu, onde não tenho um espaço sequer para chorar em paz. Meu riso é infelicidade dos demais e meus sonhos, apenas sonhos, como vontades de criança que nunca se concretizam.

Cesso aqui uma espécie de depoimento/desabafo que renderia linhas, versos, estrofes, mas estou no INSS, num estágio escutando servidoras reclamando de suas vidas maravilhosas. Os famosos “White gurls problems”. Enfim, resta aqui um mero rapaz de quase 20 anos de idade que não sabe o que fazer, senão lamentar-se de sua vida mal encaminhada.