Sobre ela: para ela

Quando você me cobre,

sustento no rosto o peso de cada fio

de seus selvagens cabelos negros.

Durante um beijo,

me invade o canto da boca

a linha grossa do negro manto

que quase cobre sua lombar.

Ao deitarmos,

levo ao meu rosto

pontas macias que aveludam

e me aquecem.

Percorro meus dedos,

Desejo que os solte,

sinto-os frescos como o ar que antecipa as chuvas.

Jogar displicente

de uma mecha ondulada,

queimada de sol

fina, quase sempre despenteada, ao vento e ao movimento.

Quero nelas pousar meus dedos,

arrumá-las,

vê-las bagunçar de novo.

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