A Solidão da Humanidade

Uma confissão sobre o desenvolvimento da solidão em nossa existência

O eco do meu choro foi meu único companheiro por muitos anos, mais do que a maioria das pessoas; A verdade que eu não gosto de revelar é que passei até a gostar desta companhia que a dor e a solidão criava.

Não sei quantas vezes olhei para cima buscando que algo acontecesse, qualquer coisa, fosse uma luz ou um fim piedoso. Com minha garganta apertada de tudo que eu gostaria de ter dito e o coração doído de todas as vezes que não havia saída exceto caminhar nas madrugadas frias à pensar sobre os infortúnios da vida, seguia sempre com um sorriso louco todas as manhãs para que ninguém visse minhas vulnerabilidades, pura tolice.

Com o tempo passei a observar outros que caminhavam na mesma direção que eu, às margens da dita normalidade, com cabeças borbulhantes, corações corajosos e espíritos incompletos. Um deles tomou meu braço e mesmo eu, tão afiada quanto cacos de vidro podem ser, passei a não estar mais tão só.

Tão logo quanto o piscar dos olhos de Chronus, descobri amores novos, erros novos, esperanças novas e até facetas de mim que nunca pensei conhecer.

Hoje quando minha voz ecoa, comigo canta um coro que fortalece escondendo qualquer vacilo que eu dê, mesmo assim eu sinto em meu peito que ainda estou só, tanto quanto qualquer humano neste mundo sempre esteve ou estará.