Lobo do Mar

Antigamente os ventos eram caóticos e sopravam em todas as direções, eu não tinha controle do leme e lidava com todos monstros marinhos, piratas, recifes ou águas rasas que apareciam em meu caminho. Meu convés vivia cheio de marujos bravos e audaciosos prontos para qualquer imprevisto, apesar de tempo ruim e poucas provisões.

Hoje sinto quando o tempo vai mudar apenas observando o vento cortado pela proa, no leme consigo evitar os lugares obscuros do oceano mantendo a segurança de cada madeira que forma meu navio; Não há muitas mudanças, apenas aqueles causados por estar muito tempo no mar.

Confesso que às vezes é solitário não possuir tantos andando ou reclamando de alguma coisa no convés, porque apenas a trupe necessária e fiel persistiu ao meu lado; Eventualmente vejo antigos companheiros passarem cortando as águas em outras embarcações, direções pouco divididas, então aceno e guardo em minha mente qualquer lembrança que estenda esse momento.

Durantes as noites frias permito que as estrelas me guiem ao som de alguma voz abaixo do convés cantarolando seus amores da terra: Não temo a imensidão desses mares sequer os perigos que ainda podem aparecer pois carrego em cada fibra de mim a força que adquiri e a vontade de um dia encontrar o tesouro que me aposentará, tornando-me um eterno narrador das aventuras que esses mares me proporcionaram.