NÃO É DOR

Por que ser mulher dói tanto?

Eu me perguntava

E parecia não encontrar a resposta

Ser mulher dói,

Desde que a gente descobre

Que tem ventre.

E aí todos dizem:

“Virou mocinha”

E “virar mocinha”, virar mulher

Dói…

Depois a gente vai se acostumando

E acha aquilo normal…

Faz tudo que os “mocinhos” fazem

Além de sentir as dores

Inerentes a ser mulher.

A vida passa…

E ser mulher, não dói mais no corpo.

Dói no dia-a-dia,

Dói ao ouvir que você é menos

Porque nasceu mulher.

Dói porque você acredita que é menos

Porque é mulher.

Menos inteligente, menos forte,

Menos segura de si, menos, menos e menos…

O mundo te prova

Que ser mulher dói

Dói todo dia…

Aí, você resolve que

Além de ser mulher

Será também mãe

E ser mãe dói…

E você acredita que

As dores são do processo.

As dores são das mudanças do corpo,

Mudanças do útero,

Mudanças, mudanças e mudanças…

Que doem!

Então, você acredita que a dor do parto

Será a maior dor de toda a sua vida!

E mesmo sendo uma transformação avassaladora,

Uma prova concreta da sua força…

Você é levada novamente

A um estado de fragilidade:

Você descobre que amamentar dói,

Dói muito!

E essa dor é normal.

E precisa acreditar

Que essa dor não é nada.

Afinal, “toda mulher passou por isso”!

Toca em frente,

É normal!

Mas, a dor do coração…

Essa é a que mais dói!

E é uma dor muito forte

Para quem é mulher-mãe…

A dor de construir

O vínculo mais verdadeiro na vida

E depois a maior dor:

A dor da separação…

E ser mãe faz sentir

A dicotomia mais intensa também

Entre tantas dores…

O maior amor,

O maior prazer,

E a maior satisfação

Que a vida pode nos presentear!

Ser mãe nos prova

O porquê de ser mulher nessa vida.

Transforma e cura a alma.

Nutre o coração.

A melhor dor que se pode conhecer…

O amor mais difícil de explicar…

Ser mulher

É amor,

Não é dor!

É amor, não é dor!