O Passo Maior Que Perna no Ágil

Acho que todo mundo já ouviu falar nessa expressão tão fatídica, e controversa com aqueles que pensam que agilidade está ligado com a pressa.

Percebo que algumas empresas ainda precisam conceber algumas questões antes de perpetuar a tal transformação ágil / digital em suas organizações. Tornando isso mais uma onda da moda, e não entendendo o real motivo de que se não mudarmos, não focarmos na inovação e em pessoas, as empresas morrerão. Creio que o pior acontecerá com as empresas que fizerem uma falsa transformação, ou seja, estão seguindo a onda do momento, porém não conseguem se libertar das amarras da cultura. O famoso “Scrum but”! Rodamos o Scrum, mas daily aqui não é necessária. O Scrum é nossa metodologia, mas o backlog não é priorizado com cliente. Entre outras…

Antes de falar dos valores e dos princípios do manifesto ágil, talvez a melhor explicação que pelo menos eu gostaria de receber sobre agilidade seria: A agilidade pode-se resumir em fluidez e transparência. Além disso, o método ágil não é bala de prata, essas vocês já ouviram, né?

Vamos a crítica nua e crua. Vamos deixar claro uma coisa ante. Isso é estritamente uma opinião minha, e na qual eu estou compartilhando com vocês para também tentar entender mais sobre questão, e se alguém mais tem essa idéia convergente com a minha, ou que também tem essa ótica, ou por simplesmente vivencia, ou tem vivenciado isso, estamos aí então explorarmos o assunto de como lidaram com isso tudo. Então, o que eu vejo é que muitas empresas andam adotando alguns modelos prontos de mercado, sem se quer entender o manifesto, ou entender o mínimo da agilidade. Simplesmente adotar algo que talvez não se adeque na sua cultura institucional. Exemplos? Vamos lá, a moda agora é adotar o Modelo Spotify. A segunda onda do momento é a o tal SAFe. Os dois são modelos de escalonamento do Agile, porém na minha concepção estamos falando aqui de instituições que não fazem o mínimo do ágil ainda, porém já escolheram, ou seguem um modelo de escalonamento.

Spotify engineering culture
Scaled Agile Framework (SAFe)

O que as pessoas precisam entender é que o Modelo Spotify, é um modelo para o Spotify, para a cultura Spotify, onde o mesmo contempla as respostas dos porquês individuais do Spotify. Claro que existem práticas curingas, práticas que podem ser tiradas da bolha Spotify, e utilizadas em outro organismo organizacional, mas o que eu estou tentando colocar em discussão aqui, é questionando se o modelo de escalonamento escolhido faz realmente sentido sentido para sua organização em termos de cultura, e principalmente em termos de maturidade, essa é a discussão!

Vamos falar um pouco de SHU-HA-RI. A origem do termo é oriental e englobava o processo de aprendizagem das artes marciais. Tradução literal: Shu, 守:しゅ: obedecer/proteger; Ha, 破:は: romper/modificar; Ri, 離:り: separar/superar). Como o grande movimento da gestão de ágil também teve início no oriente, incorporou-se esse termo para medição de maturidade agile das instituições / times. Basicamente é o que o literal diz, mas ratificando: Shu, momento em que se segue alguma regra; Ha, fase em que as regras seguidas começam a ser quebradas, porém mantendo a base do manifesto; Ri, grau máximo de maturidade, quando se cria suas próprias regras, também mantendo os valores e práticas do manifesto. E é neste momento em que o Spotify está, no Ri, criando o seu próprio modelo / framework. A grande crítica aqui é, porque seguir um modelo de mercado, criado por alguma instituição que com certeza passou por todos os níveis de maturidade, se ainda estamos no Shu, e isso sem entender a sua própria cultura para transformação ágil / digital?

Concluindo, eu entendo que tudo é uma questão de ótica, cultura, pessoas e momento. Tendo essas variáveis bem avaliadas, você tem condições de realizar ação necessária em qualquer instituição. Porém, focado em pessoas. Precisamos dar voz a elas, isso fortalece a autogestão, e a auto-organização, propondo e nunca impondo. O que ocorre hoje é uma imposição de modelos, e não colocado em discussão o que as pessoas precisam realmente para melhor renderem. Ouçam as pessoas! Sempre!