
A forma como seu corpo se joga para a frente ao se sentar na cadeira da sala de reuniões é peculiar. Suas pernas, cruzadas propositalmente, demonstram uma inquietação de uma rotina de mais de doze horas de trabalho intenso. A maquiagem em seu rosto está intacta. Dizer que a mansidão de sua voz é protagonista de suas falas seria um impropério injusto: há segurança e firmeza, tanto nas palavras quanto na peculiaridade de sua postura. Está acostumada a conceder entrevistas e a encarar perguntas.
Dimara Oliveira é figura conhecida na cena do jornalismo esportivo mineiro. Com o notório, porém tímido, aumento da presença do sexo feminino no segmento, seja apitando, jogando, na arquibancada ou nas cabines de transmissão, sua atuação ganha evidência. Âncora do Jornal BandNews Minas primeira e segunda edição, ela também integra a equipe do “Tem Mulher na Área” e é comentarista e repórter da TV Band Minas, emissora onde participa do Jornal Band Minas e do Os donos da Bola. A jornalista também é vice-presidente da Associação Mineira de Cronistas Esportivos (AMCE) desde 2008.
Poços-caldense (nome que se dá à quem nasce na cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais), Dimara tem duas irmãs. Seu pai, foi delegado geral de Polícia, prefeito e radialista. Na infância e adolescência, ela sempre se mostrou bastante comunicativa e estudiosa. Era campeã de leitura e de redação no colégio onde estudou. ‘Eu não tinha essa noção. Quando tinha trabalho, os amigos sempre pediam para eu apresentar. Não sabia que isso um dia poderia virar minha profissão”, comentou. Foi garota estudantil e modelo, desfilando em outros estados como Rio de Janeiro e São Paulo. O esporte também era presença constante em sua vida: gostava de jogar Vôlei e Handbol.
Apesar de já ter uma carreira como delegado, o sonho de seu pai era ser jornalista. Anos mais tarde esse sonho viria a se tornar mais concreto, quando ele comprou a Rádio Clube de Pouso Alegre. “Meu pai comprou a casa para gente e duas casa depois era a rádio. Então eu saía de casa a infância inteira e ia para a Rádio. Meu lugar de brincar era lá. Ficava no estúdio o tempo inteiro. Ali eu estava sendo formada como jornalista”, recordou.
Recordações. Elas teciam o que saía da boca de uma jornalista que, num pequeno intervalo de quarenta minutos entre suas tarefas, sentou para um tipo de interrogatório. Sempre se referia a acontecimentos passados para justificar ou enfeitar os fatos presentes. Sua formação no ensino médio, por exemplo, ou suas idas e vindas de contrato com a Band, eram costura para a narrativa que ela construía em cada resposta.
O fim de seu ensino médio foi aos 16 anos, quando migrou-se para Belo Horizonte buscando prestar vestibular. Na capital, Dimara foi aprovada para os cursos de Direito, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Comunicação (Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade), no UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte). No começo, conseguiu conciliar os cursos, mas um casamento e uma gravidez impediu que continuasse com os dois. Foi quando ela decidiu por se dedicar ao jornalismo, seguindo os passos de uma de suas irmãs e os sonhos de seu pai.
Precoce como sua formação escolar, Dimara ingressou na profissão rapidamente. Logo no primeiro semestre do curso foi estagiar na área de esportes da Bandeirantes, junto à sua irmã. Com isso foi a primeira mulher a ser repórter de campo e fazer cobertura dentro de vestiário em Minas.
Mas apesar do pioneirismo num território que antes era dominado por homens, Dimara Oliveira afirmou não ter sido alvo de preconceito por ser mulher. “Eu nunca sofri preconceito nenhum. Mas porque as pessoas chegavam próximas de mim e viam que eu entendia do que estava falando, não estava lá para brincar de ser repórter. Eu sabia o que estava fazendo. Sempre entendi de esporte e demonstrei desde o início. E se teve preconceito também eu não tive tempo de ver porque estava trabalhando. Sempre trabalhei muito então nunca prestei muita atenção. Eu tinha muita coisa pra fazer ao invés de prestar atenção nisso”, confessou a comunicadora.
Em 1999 deixou o Grupo Bandeirantes e foi fazer assessoria de imprensa do Cruzeiro Esporte Clube, onde ficou por 5 anos. Lá, realizou pós-graduação em Marketing Esportivo e em Gestão de Negócios. Voltou para a Band em 2004, assumiu a Direção do Esporte por 7 anos, e novamente saiu em 2011. Durante 8 meses, passou pela TV Alterosa e Sistema Globo de Rádio e logo retornou para o lugar do seu primeiro emprego.
Em junho de 2015 uma notícia surpreendeu positivamente a experiente jornalista. Ela foi convidada pela da diretoria da Bandeirantes para assumir o “Jornal BandNews Minas Primeira e Segunda Edição”, juntamente à Júnior Moreira e Héverton Guimarães. A novidade é que desta vez a jornalista iria, pela primeira vez na carreira, trabalhar em um projeto que não haveria relação com a área esportiva. Atualmente sua rotina é de quase 20h, entre o horário de acordar até a hora de dormir, e isso só é possível, pois segundo a jornalista, ela se cobra a todo momento.
Com toda essa dedicação é “natural” que junto venha o reconhecimento do público, mas Dimara demonstra lidar com isso de uma forma tranquila. “As vezes não tenho noção disso tudo porque é muito natural. Ele são muito carinhosos e muito próximos comigo. Já tomei um tapa em um shopping de um telespectador que veio falar comigo de futebol, como se ele estivesse conversando com um amigo. Porque eles me conhecem, mas eu não os conheço. E entendo que entro na suas casas sem pedir licença”, brincou.
Família
Dimara tinha o sonho de ser mãe. A realização do desejo veio ainda muito cedo, aos 16 anos, quando começava na educação superior. Por isso, durante toda a carreira teve que se desdobrar entre o papel de profissional, mãe e dona de casa.
“Tenho uma relação de amizade muito grande com os meus filhos, mas também sou muito dura e disciplinadora. Essa formula de estar com eles foi muito mais de qualidade do que de quantidade. Quando a pessoa que trabalhava comigo faltava ou em dias de feriado, eu trazia eles para o trabalho. Já resolvi brigas pelo telefone com o time entrando em campo. Sempre participaram muito do contexto” finalizou a mãe do Marcos Augusto e Mariana.
Por Gabriel Henrique e Thiago Corrêa