faltante

Buraco. Sem. Busca inválida. Invalidez emocional. Sem.

Existir existe. E como existe. Sua existência é palpável apesar das negativas constantes e chatas. E como há vontade, e como há! Ao mesmo tempo que essa vontade existe, os traumas do passado percorrem a cabeça do garoto que a sente, fazendo com que o medo trave seus músculos superiores, inferiores e sexuais. Travado por fora, os de dentro se mutilam, machucam se arranham e se colidem.

O “esconder” é difícil pra ele, já que quando a lua chega e seus olhos se pequeninam, ele não controla suas ações e muito menos as águas que vão de dentro para o olho e do olho para o travesseiro. É nessa hora que ele faz, não esconde, vence o medo dos traumas. Porém, a existência dorme e não vê. Pro outro lado. E não vê.

Quando o dia nasce, ele tem a impressão que dormiu muito pouco, apesar do corpo não sentir cansaço ou sono. Sua cabeça está quente, com febre, e seu coração acelerado, suas mãos trêmulas e os olhos deixando de ser pequeninos. O quarto ainda está escuro e o barulho do “lá fora” alerta que a vida tem que começar outra vez depois de tantas lágrimas e sentimentos liberados ao nada. À falta. Ao não.

Seus olhos andam por cada centímetro do pequeno cubículo alugado há pouco. Ele ainda sente uma vontade enorme de pôr as mãos, de “palpar”. Ele se segura pois sabe o quanto seus órgãos subjetivos internos se chicoteiam e se debatem com negativas e sabe, ainda mais, o quanto os curativos não resolveram quando isso aconteceu no passado.

Dói. Remédios não adiantam.

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