hemorragia

Sangue que pulsa, que corre, que escorre. Planeje em seu percurso os sintomas do que eu sinto. Ande sem se preocupar com a ardência e menos ainda com a consequência. Permaneça, querido, quente. Ferva dentro de mim e só saia quando sua vinda for desejada ou quando minha ida for inevitável.

Morreu.

Tentou ser e não conseguiu.

Tentou sair e não saiu.

Tentou se vestir e se despiu.

Tentou não cair. Caiu.


Precisou de ajuda e desistiu.

Desistiu sem olhar para trás.

Lá, o futuro era incerto.

Lá, o presente era futuro.

Lá, o passado era recente.


Sangrou como nunca.

Nunca havia sangrado.

O sangue sujava e manchava.

A mancha marcava.


Marcado, agora ele era um.

Um que se despiu porque a roupa não cabia.

Um que ficou porque a saída era estreita.

Um que não mudou porque não queria.

Um que foi dois.

Dois que foram um.


Os dois, um, não se conheciam.

Compartilhavam sangue e organismo sem essa informação.

Tinham em comum o não terem coisas em comum.

A não ser a vida.

A não ser quem eles eram.

Eram, ora, um só.

Um em dois.

Dois em um.

Um que viveu.

Um que morreu.

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