sente-se aqui

Vem cá, vamos conversar. Você está está bem? Tem certeza? Viu o nascer do sol hoje? Gostou? Qual cor foi anunciada? Seus olhos chegaram a doer?

Acomode-se. Preciso lhe contar que o dia não foi lá essas coisas. Que não está sendo fácil lidar com as faltas rotineiras e que é quase impossível ignorar as divisas do tempo. Tenho sofrido sem compartilhar esse sentimento e sem poder entendê-lo. É algo como uma agonia acrescida de um desespero esquisito. Dói.

Tenho na recordação os tempos de menina, nossos, quando a vida não se apresentava tão frígida e quando o relógio não era tão apressado como hoje. Lá, no passado, éramos uma só, uma que não entendia os porquês das coisas e nem lutava por isso. Lembro, também, das nossas noites de angústia, quando tons vermelhos chegaram assombrando e escorrendo em nossa infância, trazendo consigo o peso de uma nova denominação temporal.

Voluptuosamente, crescemos. Na cabeça, no corpo, na idade. O que antes era unidade se dissipou em partes, segmentos. O que está comigo é uma reunião de nãos, de vãos. Com você, espero que estejam os sins, os confins dos sorrisos. Já que não está aqui, você deve permanecer nos tempos antigos de uma mulher que ainda não tinha se descoberto como tal. Meu desejo é que você esteja feliz mesmo sem mim, que estou aqui, no agora, no hoje, vivendo da memória e remoendo um futuro inexistente.

Debaixo da cama sobraram alguns biscoitos recheados que escondi da mamãe. Coma, se quiser. Vou sentir o doce daqui.

Um afeto de alguém que é como você. Que é você.

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