Quando resolvi dizer chega para um ano nada sabático.

Todo dia Primeiro de Janeiro o pensamento que tenho é de que nesse novo ano vou me presentear com o que muitos chamam de Ano Sabático, ou Ano do Descanso, ou Ano de que Nenhum Problema Vai me Impedir de Conquistar Tudo o Que Quero. A verdade é que libra sempre começa janeiro com uma lua meio traiçoeira e parece que logo de início eu desisto de toda essa ideia de descanso e largo mão de acreditar que realmente os outros próximos 364 dias terão o mínimo de paz que mereço.

2015 foi um ano assim, digamos que tudo ao contrário do que esse primeiro pensamento poderia imaginar. Foi caótico. Foi abusivo. Foi de extremos. Foi cheio de momentos que tive aquela pontada de certeza de que desse ano eu não passava. Mas passei. Por outros milhares de motivos que me fizeram um belo dia acordar e perceber que eu era capaz de dizer chega a tudo o que me prendia e exigia tanto de mim. Aprendi a dizer não. E com a boca cheia. E com orgulho de saber que eu era mais do que aquilo tudo o que vivia.

Aprendi que ser mulher vai muito além de se sentir feminina.

Aprendi que para alcançar certas etapas e objetivos específicos você precisa abrir mão de todo o entulho que jogam nos seus ombros.

Aprendi que tá tudo ok em seguir meus instintos, eles funcionam tão bem quanto ser racional.

Aprendi que não é a dependência em alguém que vai me fazer crescer em algo. Não é acreditando numa porção de promessas que eu vou me sentir segura. É no olho-a-olho, naquele calorzinho que às vezes o coração se enche. É no silêncio. É na ausência.

Aprendi que eu poderia ser muito mais do que tudo o que já haviam me dito que eu era.

Aprendi que não é uma doença, não é uma porção de regras, não é o tempo que eu passo calada para não decepcionar as pessoas, que faria com que eu me sentisse bem todos os dias.

Aprendi a acreditar em mim mesma. Aprendi a acreditar que o descanso viria sem esforço, sem me desdobrar pra ser mais do que eu poderia aguentar.

Foi aí que sentada na janela olhando só a sombra dos fogos de artifício entre uma selva de prédios altos com gente gritando e barulho por tudo que é lado, que eu decidi: esse ano vai ser sabático sim. E em paz.

E isso só depende de mim.

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