“Extremis” e a empatia nossa de cada dia

Domenica Mendes
Feb 24, 2017 · 2 min read

“Esta é a realidade. Todos nós vamos morrer, todos aqui vão morrer um dia. É bom poder decidir como isso vai acontecer.”

Essa é a realidade dentro de UTI’s do mundo todo: todos os dias, pessoas são ligadas a aparelhos que ajudam na manutenção de suas vidas e todos os dias novos prognósticos médicos dão a infeliz notícia de que não há muito o que se fazer. Esse momento dói, nos põe em nosso lugar completo no universo como seres humanos, mortais e desejosos de termos quem amamos perto. Ao nosso lado e saudáveis, completos e felizes. Mas o preço disso tudo é justamente saber que, um dia, isso encontrará o seu fim.

Quando a ciência aponta que os esforços não são mais suficientes, nossa fé é posta à prova com a dúvida sobre o que devemos fazer.

O que você faria?

Como agiria se uma pessoa que você ama estivesse em estado terminal na UTI, sem chance de recuperação ligada a aparelhos? Você a manteria ali pelo tempo possível ou a desligaria tudo para que ela tivesse uma morte natural? Até onde vai o seu poder de decisão? Até onde vai a sua força para decidir?

Essas são as perguntas que nos tocam quando assistimos a “Extremis”, o documentário curta-metragem da Netflix que está concorrendo a um Oscar na categoria.

A maestria desse documentário está no poder de nos promover empatia, da impossibilidade de vermos aquelas cenas reais e não nos colocarmos no lugar das pessoas que tem que tomar a decisão. Esses questionamentos são duplicados ao mostrar o outro, levando-nos a pensar qual seria o nosso desejo se fôssemos os doentes em estágio termina: prorrogar nossa vida artificialmente ou lidar com a morte natural?

“Extremis” nos mostra que diante da morte e da possível decisão de se estender uma vida ou deixar a natureza seguir seu curso a seu tempo não há certo ou errado. Indo além, ele nos mostra que diante da única e maior certeza que temos, todos somos um e todos temos fé. O difícil mesmo é saber como respeitá-la em momentos onde a vida de quem amamos é a única coisa que realmente importa.

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