O primeiro passo para melhorar é admitir.

O primeiro passo para melhorar, é admitir que não está bem. O primeiro passo para resolver o problema é admitir que tem um problema.

Eu devo ter um mestrado em acreditar que está tudo bem quando não está. Isso provavelmente é um efeito colateral do meu otimismo — de sempre olhar as coisas pelo lado positivo. Eu percebo que não estou bem quando efeitos físicos começam a aparecer ou quando me dá uma vontade enorme de chorar “do nada”. E então eu tenho que ir atrás e ver o que não está bem. E, assim que eu vejo, eu aceito que tem algo de errado.
Eu aceito que, apesar de ficar sozinha, a solidão é dolorosa em diversos momentos. Apesar de eu estar começando a construir a vida que eu sonho ter, tenho saudades de casa e sofro por abandonar o conforto do lar.
Eu aceito que não é fácil se reconstruir. Como assim reconstruir? É, eu tenho que aceitar que eu desabei também. 
Esse foi um ano de muita construção, desconstrução e reconstrução. O tempo todo. Constantemente. 
Abandonar velhos hábitos, velhas maneiras de levar a vida. Abandonar uma parte de quem você é — ou melhor, da personalidade que você criou para ser, para se proteger.
Eu sou ótima em fingir para mim mesma que está tudo bem. Felizmente, hoje consigo admitir que estava mentindo para mim. E assim que eu aceito as coisas ficam mais fáceis.
A aceitação para mim parece um abraço. Aceitar me lembra acolher. Quando aceito que não estou bem, eu me dou um abraço de alma. 
Quando eu aceito que tenho um problema, eu abraço o problema. Eu compreendo.

O desconhecido dá medo, assusta a gente no início. Mas ele nos faz agir e seguir apesar do medo. Seguir mesmo com medo. E é nisso que a vida consiste. É assim que se realiza sonhos. É agir apesar do medo, e dessa maneira vencê-lo. É confiar, é ter fé — que o melhor virá. 
Assim estava eu essa semana, assustada. Agindo, mas assustada. Meu coração estava apertado. Saudades. Saudades de casa, do conforto. Saudades de abraços. Saudades da minha gata e do amor e carinho espontâneo que ela me dá. Saudades da vida “nos eixos” que eu levava há um ano. 
Um ano atrás eu aparentemente sabia tudo que eu queria para a minha vida. Mas me sentia acurralada. Me sentia presa. Me sentia perdida e infeliz. Eu não tinha um propósito. Aliás, eu não tinha ideia do que fazer.
Hoje a situação é outra. Eu estou solta, segurando as rédeas da minha vida com minhas próprias mãos. E isso é assustador. E hoje eu sei e sinto qual é o meu propósito. Eu sinto o que tenho que fazer. Mas isso não significa que é fácil de fazer. 
É um processo de autoanálise constante. É colocar o dedo em várias feridas. É reviver várias feridas.

É aceitar, é compreender, é abraçar.

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