Jornalistas, parem de fazer notícias sobre o que cai nas redes sociais

Redes sociais são fantásticas. Ajudam a disseminar notícias, dão a qualquer pessoa um poder enorme de edição. É muito legal quando o internauta comum vira jornalista. Mas é muito desagradável – eu diria, repugnante – quando o jornalista vira um internauta comum.

Um vídeo de uma criança chorando após uma decisão de um juiz a respeito da sua guarda. Isso é notícia? Como esse vídeo foi feito (eu me recusei a ver; portanto, não sei)? Quem o divulgou? Que histórias complexas, que dores envolvem essa família e agora são jogadas para o público exercitar sua falsa compaixão?

Outro dia foi um flagra no motel. Também com pessoas reais, cujas histórias não conhecemos.

Antes disso, duas estudantes brigando. Que contexto havia?

A lista é quase infinita. O homem preso forçado a dar entrevista. O jovem bêbado que faz algo de que mais tarde se arrependerá. A pessoa que comete um deslize, diz uma palavra errada, dá uma opinião mal vista.

Tudo virou objeto de flagra. De exposição, de viralização. De “memetização”.

Quem somos nós para ficar expondo todas essas pessoas assim? Nada mais é privado? Nada? Nem aquilo que a sabedoria havia convencionado como segredo de justiça? Nem aquilo que nossa consciência, quando não amortecida, nos recomenda cobrir e silenciar? É tudo para satisfazer a curiosidade doentia dos outros e nossa?

Por que os jornalistas – redatores e editores – se rebaixam ao ponto de fazer dessas coisas notícia, com manchetes de destaque, com posts no Facebook? E por que compartilhamos?

É o velho pecado de Cam, pelo qual foi banido, a nos assombrar e nos enredar em likes, shares e cliques.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.