EU QUERO…

Eu quero que você seja livre, entretanto não quero fingir que não sinto medo. Medos como os seus, mas aprendi em resposta a ser fúria enquanto que você rio.

Sinto dor toda vez que sou abandonado passado alguns meses, simplesmente porque já não se sente mais aquele tesão que um dia provoquei. Sei que todos seus contatos em suspenso, são então, mais interessantes do que eu. E se por consequência óbvia virarei barreira ao seu desejo, quero não sê-lo desde sempre. Então que vá ao encontro deles, viva suas paixões e seus amores, mas não me faça “o que impede à felicidade”.

Dói! Dói saber que das tuas amigas guardará afeto eterno, enquanto comigo é passagem. E por isso, não desejo ser amor, esse que finda no desejo, sexualidade do breve tempo, desejo mais ser seu amigo… Mas não vou fingir que será fácil ouvir dos teus amigos tão mais belos do que eu, dos paus tão maiores que os meus. E se formos amigos, não desista de mim, pois estou tentando da lama fazer nascer lotus e não creia que minha dor é uma farsa, pois dói tão fundo que acho que é raiz podre que não vira adubo. E sendo assim, por vezes não conseguirei sorrir, pois minha alma tem medo.

E se cada uma das tuas paixões te fizer melhor, que sejamos assim melhores também, sem que tenha que esconder o que se aprendeu.

Desculpa-me, contudo, se não quero mais sorrir, fingindo que é fácil enquanto minha alma despedaça, pois quero ser inteiro, ainda que eu entenda que preciso amputar traços da minha alma sob a esperança que renasça em luz. Não estou pronto, mas algumas estradas nos preparamos no caminho. A vida é uma dessas.

E sim, talvez eu chore algumas vezes, tendo medo que eu não seja homem o bastante nesse mundo em que “homens não choram”, mas eu choro. E não sei se todos são homens melhores do que eu, ou se todos estão presos em ilusões que ao ouvir meu choro, os magoam, os acordam, a tal ponto de me tornar alvo de suas fúrias.

Quero poder transar com você sem me preocupar com nada, a não ser com nosso prazer, da forma que tenhamos vontade. Sexualidade à flor da pele sem barreiras ou limites!

Eu quero ter a resiliência necessária em saber que o mundo se abre para ti de uma forma que ele jamais se abrirá a mim, quero não sentir que meu desejo é a satisfação de um acaso que me soa quase como um favor, enquanto que o seu é a simples escolha de vivê-lo ou não. E se às sextas você não estiver aqui, quero ter a suavidade de ler um livro ou jogar um jogo sem o desespero de quem se sente triste por não ter para onde ir.

Quero não desejar que seja minha mãe ou minha amante e que meus vínculos tão incutidos ao longo do meu “sendo” sejam recriados mais leves e livres para algo novo que ainda não tem nome e talvez, assim, eu possa até mesmo amar um homem, assim como você ama suas amigas, sem precisar que nós provemos o tempo todo um para o outro a tal ponto que tenhamos medos de tirar nossas máscaras mesmo quando o mundo está lá fora e a amizade aqui dentro. Pois sabemos que somos nós o mundo.

Eu quero que você seja pássaro, como nasceu para ser, mas não me odeie por eu ter de andar devagar e pelo chão em direção a ti enquanto você voa, pois ao que parece, suas asas já nasceram depois de tantas batalhas travadas, enquanto que as minhas ainda estão atrofiadas pelo simples fato de que jamais pensei precisar voar. Mas o chão tem espinhos, desejo eu também o céu.