A ditadura do desamor não precisa me definir

Não seja posto em oposição a quantidade de pessoas que te ajudaram versus a quantidade de pessoas que já precisaram de sua ajuda. Por vezes, tendemos a migrar de uma boa atitude pelo fato de um dia a terem nos negado. E assim como argumentos como o de não ajudar por não ter sido ajudado são perceptíveis, ecoam também o "não ser educado porque ninguém é", "ah, mas ninguém faz", "não orar porque ninguém ora", "não visito, porque ninguém me visita", "não presenteio..." e dezenas de outros.

É praticamente uma cultura de relativização atitudinal expressa na súmula: minha atitude para com o outro depende da atitude dele para comigo. Onde educação e gentileza e, inevitavelmente espiritualidade, se tornam reações-espelho a existência delas dentro de um contexto - quando elas não aparecem eu não me doo em ofertá-las.

É o meio definindo como nos porta os e não nós fazendo o meio repensar suas atitudes e prestar atenção na existência de Deus. (Sim, isso mesmo e que nossas atitudes sejam tão como as de Jesus pra que isso aconteça)

Que valor tem um bom gesto se depende do outro estar como eu desejo que esteja para acontecer? É cada um olhando pro próprio umbigo e poucos se dispondo a gritar em meio à multidão: podemos ser melhores caminhando de mãos dadas.

É possível fazer a diferença. É possível ser a diferença. E esse texto é sobre isso, que apesar do declínio moral, do senso de educação, da morte da gentileza; nossas atitudes podem gerar mudança no outro e nos nossos contextos.

Quando ao invés de se recusar a ofertar um bom dia a que sabemos que não irá responder, sejamos atrevidos em nosso sorriso, em nosso abraço, em nossa afeição.

A Bíblia nos fala que a nossa atitude deve ser tão diferente ante o nosso próximo que ele fique como que com brasas vivas em sua cabeça, sem entender a razão daquele proceder:

Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor recompensará você.
Provérbios 25:21‭-‬22 NVI

Somos chamados para sermos luz, para seguirmos confiadamente sendo instrumentos de transformação - mentes renovadas pela vontade de Deus levando-nos a experimentar o que Ele deseja. E a vontade de Deus é que sejamos a partir dEle, que possamos tê-lo como único fiel, único marco de como devo viver; ou seja minhas atitudes estão para Sua Glória, pois vivo pra Ele. Essa consideração não é nenhum tipo de alvará para "andar sozinho" (eu e Deus), muito pelo contrário: tendo Deus como fiel a maneira de estar nos relacionamentos não é uma ditadura minha nem do outro - passaremos a ser definidos em Cristo. (Que haja em nós a mesma atitude que houve nEle! - Cf. Filipenses 2.5)

A ditadura do "eu sozinho" sou bom o suficiente, bem resolvido e ajo assim mesmo e ponto e minha atitude com o outro é determinada pela atitude dele para comigo está aí militando diariamente. Que se levante os que sabem que não são capazes de caminhar sozinhos, que por serem fracos e pequenos precisam do outro e só com o outro é que se encontra o sentido de estar e de ser. Que ao perceber a educação denegrida forcem a barra pelo bem, que ao ver a compaixão escanteada a tragam de volta à cena ainda que frágil.

Pessoas que confrontem o mundo com a autenticidade de quem busca em Jesus a maneira de ser e estar.

Que seja simplesmente a geração que tem fome e sede de justiça. Geração que transmite Jesus não somente por ser educado e bonitinho, mas por se doar em transformar contextos, ideias e pessoas ao seu redor.

Que tenhamos Deus e sua Palavra como fiel para nossas vidas e relacionamentos:

Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a Lei. Pois estes mandamentos: “Não adulterarás”, “Não matarás”, “Não furtarás”, “Não cobiçarás” e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. O amor não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da Lei.
Romanos 13:8‭-‬10 NVI
“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa vocês receberão? Até os publicanos fazem isso! E, se saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.
Mateus 5:38‭-‬39‭, ‬43‭-‬48 NVI

Que esses e dezenas de outros textos nos lembrem que amar não deve depender de como o outro é para comigo, mas sim de como Deus é para comigo e se o amor dEle é constante e não muda que seja gerado em nós um amor ao próximo autêntico tendo Jesus como fiel.

Que o amor dEle nos constranja dia a dia.