Seja o amor a nossa resposta

O fruto do Espírito não é sobre viver isoladamente, é sobre ser aperfeiçoado através dos relacionamentos

Em Gálatas 5, vemos a diferença entre viver dirigido pelo Espírito Santo e viver segundo as próprias vontades e objeções. Assim nos diz o texto bíblico:

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam. Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da Lei. Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. Não sejamos presunçosos, provocando uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.
[Gálatas 5:1, 16-26 NVI]

E por diversas vezes, tendemos a olhar nossa vida no nível particular — quanto à maneira como nos relacionamos com o Pai — e deixamos de nós atentar para o nível da coletividade, do sermos um em Cristo, do ser aperfeiçoado através dos relacionamentos para juntos se parecermos com Jesus. Ou seja, acabamos por olhar o fruto do Espírito como um indicativo de como vai bem o nosso relacionamento com Deus quando na verdade essa manifestação deve ser voltada para o próximo.

Tomamos como exemplo um homem que se esforça para ser paciente e afirma “vejam o quanto sou paciente, olhem o quanto Deus me fez paciente!” — quando na verdade essa paciência só é verdadeira passando pelo crivo dos relacionamentos, pelo crivo da convivência e dos confrontos diários.

O fruto do Espírito é sobre manifestar o Reino de Deus na vida de outros. Não é sobre ter a paciência, a bondade, a fidelidade ou o domínio próprio como boas virtudes e passar dia após dia contemplando-as de longe como excepcionais.

O fruto do Espírito não é algo pra vermos se tornando verdade na vida de outros e julgarmos esse outro como alguém melhor, mais favorecido, mais agraciado pela vida, mais abençoado por Deus… O fruto na vida do outro não deve se tornar rota de murmurações para nossa vida. Essas “qualidades” não foram fruto do esforço, mas foram colhidas na dependência, por isso é tempo de nos voltarmos para o Deus que realiza em nós, o Deus que começou uma boa obra e que vai completá-la quando estivermos com os olhos em Cristo.

Quem anda no Espírito experimenta a maravilha de ser usado por Deus, transformado e moldado por Ele para viver por Ele. Quem anda no Espírito tem o fruto do Espírito como resposta: o amor de Cristo transbordando através de uma vida que aprende com Ele.

Assim, olhamos para alguém que consideramos bondoso e não buscamos justificativas baseadas no esforço para rotular como esse alguém se tornou bondoso. Damos glória a Cristo simplesmente! Enxergamos que esse alguém aprendeu com Jesus e percebemos que o fruto (5.23) é apenas um por se tratar do amor de Cristo e de sua maneira de se relacionar. A partir disso, buscaremos na dependência sermos transformados a cada dia para sermos como Jesus.

Manifestar o amor de Cristo — eis a nossa missão. Porém, é necessário frizar o que realmente vem a ser o amor de Cristo pelo fato de termos convivido e por vezes reproduzido discursos e atitudes que lamentavelmente não tem a ver com o amor de Cristo.

Todos nós desejamos a parte passiva do amor de Deus: a aceitação. Quase ninguém deseja a parte ativa: ‘a autoridade que nos conduz à transformação. [Pastor Anderson Silva]

O fruto do Espírito é sobre ser transformado para não apenas desejar “a parte boa e fácil de estar com Deus”, desejando o que Ele pode fazer em nós ou através de nós; mas sim buscar ser instrumento de transformação — ousando ter e apontar uma vida centrada no Evangelho.

Se doando em dependência a Deus é que somos transformados para ser como Jesus e passaremos a ter o amor como resposta, o fruto do Espírito atuando, definindo nossa maneira de amar o próximo. E apesar de condutas contrárias, embargadas em desamor, proclamaremos a união.

É simplesmente ser cheio do Espírito Santo que a nossa atitude, que o nosso querer, que o nosso mau humor, que nossa irritabilidade vai se anulando e nossa resposta vai ser como Jesus faria.

E nossa resposta não será apenas o primeiro momento do “venha como estás”, mas será também de doação intencional e sacrificial para orientar e ajudar outro alguém a ser como Jesus. E fácil dizer a alguém que Jesus o ama (aceitação), requer renúncia levar alguém a enxergar esse amor, aprender dEle e ser transformado em mais um filho amado que ama Jesus e ama também as coisas que Ele ama (autoridade que transforma).

Que Deus continue nos orientando nesse aprendizado. Que manifestemos Jesus!

Para reflexão a música da vez é a Nasce Mais Um Dia - do Livres para adorar na versão do Mateus Lemos no ukulele — > https://youtu.be/fP2Bk0cWy78

Eu sei, preciso de você mais que ninguém… Sei viver pro outro alguém é bem viver…