Uma geração de doentes.

É incrível como não passamos disso. Acordo todo dia e num movimento já automático, vou para o banheiro. Eu apenas considero que o meu dia tenha começado quando lavo meu rosto.

Não sei o porquê mas a sensação da água gelada no meu rosto faz eu me sentir vivo. A sensação que meus movimentos são robóticos aflorou ainda mais quando comecei a pegar ônibus para ir para a escola — Mesmo que eu vá descer 3 pontos depois. — Dentro do ônibus, lendo pela a vigésima vez a instrução de que o ônibus possui um mecanismo que só possibilita o seu movimento com as portas fechadas, eu finalmente percebi. Eu tenho uma rotina.

Eu vou na lotérica pagar contas, perco a minha tarde indo de um lado para o outro para resolver problemas, acompanho minha vó no hospital. Quando tenho um dia de descanso apenas quero um abraço de minha namorada e ficar pelo o resto da noite no mesmo lugar. Baladas e festas não me apresentam o mínimo interesse.

Uma vez por semana, tenho psicólogo. Sempre fico ansioso por esse dia. Tudo que estava guardado nos outros seis dias, é liberado numa enxurrada misturada com lágrimas e tristezas.

Mas se eu for listar um problema, a crise de ansiedade é o pior deles. A sensação de angústia, ansiedade sem nenhum motivo aparente, é no mínimo perturbador. A sensação de que meu relacionamento irá por água abaixo junto com todo o resto mesmo que não tenha motivos para me fazer acreditar nisso, me faz parecer aquelas pessoas que acham que estão sendo seguidas pelo o governo.

Eu realmente não sei oque vai acontecer comigo. Pretendo tomar remédios mas tenho medo de me tornar um dependente. Pretendo não tomar remédios mas tenho medo de me encontrarem no trilho do trem atrapalhando a viagem de todos vocês.

Mas até morto eu consigo atrapalhar a vida de alguém. Quando paro para pensar nisso tudo, oque mais me assusta é ter apenas 15 anos.