To: Andy

donnac.
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Jul 28, 2017 · 2 min read

(Soundtrack: Tempo Ruim — Matanza / Lonely Day — SOAD)

Houve um tempo em que cogitei que boa parte das coisas não seriam efêmeras. Pessoas, laços, amizades, fatos. Com o passar dos anos boa parte disso (se não tudo) se vai, a maioria delas sem explicações aparentes. Poucos permanecem, poucos parecem compartilhar das mesmas coisas. Sendo franca: foi uma surpresa saber que mesmo com um abismo entre aquele com quem tinha contato quase diário e o atual, o mesmo cara que costumava chamar de ‘Mano’ segue ali.
No final das contas, pude me certificar que o tempo agiu como catalizador de ideias e como peneira depois de tantas coisas vividas por ambas as partes. Um saco de lembranças quebradas — quebradas no sentido da falta de memória e do não aproveito total de um, também da estranheza sobre os ocorridos e pessoas ‘revivida’ por outros. Talvez houvessem páginas que fossem melhor até não serem revisitadas, mas mesmo assim foram comentadas. Isso faz parte do ritual dos amigos ausentes. Admito que, nessa pá de fatos que comentamos, uma das que mais sinto falta era nossa pseudo banda que tocava Spinnerette (mesmo contigo dizendo que Distillers era melhor)e afins (pois é, minha memória é boa pra cacete — e eu poderia citar mais coisas, assim como tentei tocar Seven Nation Army na bateria). Aquelas tardes eram como uma inclusão pra algo muito utópico, uma projeção em mínima escala do que se gostaria (e era planejado) pra vida ‘adulta’. Era um dos acontecimentos da fase ensino médio que não me faria jogar molotovs no colégio e não justifica que a minha juventude foi-se ralo à fora. Talvez isso não tenha tanta relevância pra ti, mas pra mim teve e segue tendo.
Ainda sobre ausência: talvez eu tenha me sentido um pouco relapsa hoje.
Relapsa no sentido de não perguntar como as coisas estavam antes ou me manter por perto por mais tempo. Em contraponto, parte minha que insiste em ‘não querer incomodar’ fala muito mais alto. Nesse intervalo de ocorridos ao menos houve um acréscimo de experiência por ambas as partes, e a conclusão que chego é: fico feliz por saber que ambos evoluímos, nos blindamos e estamos mais ‘seletivos’ conforme a lei natural de sobrevivência.
Nada que seja contado agora assusta de fato. Nenhum ato é injustificado e menos importante só porque o outro não (con)viveu ou participou de tal fase. Todas as ideias são bem-vindas e postas em debate e isso é muito bom. Assim como é bom saber que, de uma forma ou de outra, tu segues vivo.

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algumas cartas, alguns parágrafos, algumas frases. encontre-se por aí.

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