To: Icy

(Soundtrack: Super Amigo + Sinceramente — Cachorro Grande / Diamonds Are Forever *cover + Flourescente Adoloscent — Arctic Monkeys )

Sinceramente, senti saudades de ti hoje. Honestamente eu só quero te dizer que procuro não pensar muito nisso. Tem ficado mais difícil ultimamente. Espero que, em contraponto, teu tempo esteja sendo bem gasto e preenchido com a presença de quem escolheste para gastar vidas ao lado. 
 Talvez eu tenha errado o pulo por não ter insistido mais, enquanto podia. Talvez só não fosse pra ser.
 Parando pra pensar: muita coisa aconteceu desencadeado pelo teu ‘não’. Desde o primeiro deles até o derradeiro.
 Talvez também tivesse sido melhor não ter reconhecido acorde nenhum, não ter me exposto tanto, não ter confiado no instinto. Se hoje somos estranhos um para o outro é a única coisa que posso dizer não ter sido por acaso — e algo que não veio de ambas as partes.
 Em alguns domingos aleatórios algo remete aos minutos gastos no teu quintal e cozinha, falando sobre muita coisa e chegando em poucas conclusões concretas. Muitas possibilidades foras discutidas ali. Geralmente o ‘…e se’ vinha uma hora ou outra. 
 Talvez o gosto dessas lembranças tenham o mesmo agridoce de tabaco com café açucarado e sejam como as bitucas que sumiam sem deixar vestígios — já que tu fumavas escondido na rua (deus o livre pensarem isso… aliás, quem é deus, não é mesmo? Talvez fosse uma manifestação terceirizada dele nas premunições mediúnicas dos sonhos que tenho esporadicamente? Nunca saberemos).
 Possivelmente tu fostes um dos mais inteligentes e sagazes amigos que tive, e era proporcionalmente egoísta com isso. Pior de tudo: tu sabias (e gostava) disso. O orgulho desse título era algo ímpar, um tanto mal compreendido aos que não te colocavam em como prioridade na hierarquia da lembrança. Vendo de fora, a projeção de algo não resolvido internamente era algo um pouco turvo, mas ‘da tua natureza’, afinal ‘ele sempre foi assim’. Pra que esteve um pouco mais próximo, apesar de justificável ainda não conseguia ser de todo compreensível. Provavelmente também era um dos raros que sabiam dançar e tive alguma conexão intelectual e cultural ao longo desses anos — aunque me quede esperando, hasta que la ausência me hace compañia.
Talvez esse tenha sido um dos escritos mais doloridos, viscerais e baseado em fatos reais já escritos (dentre todos os mais de 30 acumulados cujos destinatários possuem outros nomes próprios). Apesar de tudo, espero que o tabasco ainda esteja apetitoso o suficiente pra te manter alerta e interessado; assim como desejo que a labareda que tu carregas dentro do peito (e mostra pra poucos) siga se alimentado da mesma inquietude que já conheci. Também espero que tu já estejas maduro o bastante pra entender tudo o que aconteceu. Não aguardo mais as promessas não cumpridas — como manter os laços vivos e a escrita (mesmo de pois de ter dedicado vários parágrafos aos que te espezinharam, te substituíram e também aos que não fizeram nada, mas que em algum momento foram alvo da tua fúria implacável), mas minha boa memória é ingrata nesse ponto e ainda me faz relembrar (assim como quando a cantoria via Skype em um fim de abo longínquo foi algo bacana). Há ainda muitas coisas que ficaram obtusas nessas linhas, mas não sei até que ponto seria bom relembra-las ou deixa-las inanimadas por mais um tempo. Só sei que ter noção de que eu, em algum momento daquela despedida, não as tivesse trazido à tona talvez não tivéssemos encerrado esse capitulo da forma devida.
No mais: só espero que tu estejas bem — contigo mesmo, com todos ao redor e milhas de distância, nesse e n’outros planos.

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