Porque todos meus amigos estão tão frustrados como eu?

Nas últimas semanas foram convergentes as mensagens de “pô, tô me sentindo meio pra baixo” em suas mais diversas formas entre pessoas próximas. Os feriados parecem ressaltar o vazio que algumas pessoas suprimem com a rotina.

Mas quando a rotina tem que dar um stop, as coisas se tornam abstratas. Esse é um exemplo vago, mas a questão é: as pessoas estão cada vez mais inseguras de si. Numa era onde é preciso ser autêntico e ser global, as identidades se esfarelam e o que você considera ser passa a ser relativo, moldado pela moda. Mentes que sentem e corpos que se adequam aos novos padrões.

Essas vidas vazias podem parecer extremamente exageradas, apenas um ponto de vista pessimista — mas o alarmismo é pra chamar atenção a como estamos rumando a vida de gado cada vez mais.

A realidade já não segura as pontas de sustentar a ilusão consumista e globalizada do capitalismo, e as pessoas, mesmo sem racionalizar todo o processo, sentem a decadência de cidades, estados, ideologias, culturas. Tudo se desgasta, e a vida também.

Lentamente essas pequenas violências vão convergindo pra desiludir qualquer mente fértil. Desde as 4 horas diárias que você perde no trânsito, os aumentos sucessivos nos preços, a violência decolando… Tudo parece errado ao redor e dentro de mim, de nós.

Quando recebi cada uma dessas mensagens, não soube o que responder. Mas me impedi de tentar consolá-los, porque já não acho que chorar e ser confortado são benéficos, é preciso levar as porradas e reagir — em todos os âmbitos. A realidade é tão ruim quanto parece sim, por isso que é preciso desconstruí-la (e isso dói).

via @ivoneuman
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