Sob a luz forte daquelas cores inebriantes — azuis, vermelhas, verdes —ela me parecia a coisa mais bonita daquele buraco em que me meti por capricho seu. A beleza daquela cena — ela dançando ao som da psicodelia — talvez viesse da composição daquele retrato de corpo. Por trás das linhas guias que emergiam dos meu olhos já dopados por delírios estéticos só o que eu via era seus ombros nus, um longo pingente pendurado no primeiro furo de sua orelha e aquele coque no cabelo. Mesmo confinado ao nó de improviso pra driblar o calor insuportável, o pouco que restava em liberdade das ondas do seu cabelo leoninamente perfeito pareceu-me convidativo o suficiente pra dizer um par de palavras despretensiosas ao pé da sua orelha quente. E após o olhar de espanto e tesão, toques, charmes e outras palavras, agora já carregadas de pretensões e ditas com o tesão do meu corpo todo delirante, o sim. E a mão dela segurou a minha e nos guiou para um canto distante das luzes, precedendo a união dos corpos. E assim me tornei seu mais novo capricho.

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