A Disciplina Neoliberal da Fé

Pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos

Paulo Apóstolo ao jovem Timóteo

A comunidade de fé capitalista deposita esperanças na qualidade narrativa e operacional do dinheiro. Fé que tem certeza — por mais contraditório que isso seja — de que pode comprar os climas místicos, os efeitos surreais e os resultados mágicos de crer num “não-sentido” produzido no funil de vendas do marketing para parecer sagrado e espetacularmente divino. Tudo comprado: deus de mercado e fé em liquidação.

Essa economia religiosa celebra o princípio básico do pensamento capitalista, a destruição da ética e da mística profunda da vida em nome de um review criativo que promete — como um deus fidedigno/infalível — contextualizar a fé pra uma geração pós-moderna. Balela! Você não pode atualizar o que essencialmente aniquila. O deus-Mercado aniquila a fé. Ainda que ele apareça como um anjo de luz, ou melhor, como uma bela foto da celebração no instagram, clicada com equipamentos caríssimos que fazem o amontoado religioso parecer ainda mais cool-spiritual e ainda mais ungido. É a beleza que disfarça o real, que demanda maquiagens e ornamentos de mercado porque precário e imperfeito. A imperfeição e a pobreza essencial não vendem, não capturam likes, não convertem leadloveres, não lotam auditórios e não acumulam mais Capital — o sacrifício de corpos ao deus-dinheiro.

Os conglomerados capitalistas que se escondem atrás dos brandings denominacionais estão terrivelmente enganados: confundiram a performance do dinheiro com a movimentação do Espírito da Vida. Basta ver que o que você chama de igreja viva e apaixonante geralmente é aquele grupo que pode pagar a publicidade dos ajuntamentos e financiar uma ótima gestão de mídias sociais!

Viu a foto daquele culto?

Que igreja ungida!

Ledo engano de quem vive no mercado das ilusões.