hoje eu fui simples e plena
Hoje eu me senti plena. Talvez pela primeira vez no ano. Hoje eu tomei um daqueles banhos em que se lava o cabelo até sentir ele tão leve que nos inspira por dentro, a ser mais leve também. Hoje eu passei hidratante após o banho. A pele, ainda úmida, carecida de atenção, fora desvirginada por aquele hidratante doce engavetado à tanto tempo.
Hoje, eu ouvi uma música da minha playlist que estava ali me esperando em um bom momento. Hoje, me deu vontade de escrever. Sentei na cadeira, peguei o notebook. Gosto do escuro. Teria que desligar a luz do quarto, mas a tomada fica um pouco longe. Mas foi assim que percebi, depois de quase dois anos aqui, a existência de uma tomada na minha escrivaninha, que apaga a minha luz sem eu precisar fazer um esforço. Ela só esperava ser notada, assim como a minha plenitude. A gente provoca. Estar bem pode ser muito simples. A gente chega, toma aquele banho, se refresca e se hidrata. De creme. E de amor (olhar) próprio. Há muita tomada de escrivaninha ao acaso. Podemos sempre descobri-las.
