E além do mais ela é Carioca…

Eu tenho um amigo chamado Mário (que Mário?!), que me renderia mais uma ou duas crônicas, que possuía um amor pelo Rio de Janeiro tal ou maior que o meu.

Dizia-me que o sonho dele era namorar uma carioca para poder cantar essa música para ela:

Ela é carioca
Ela é carioca

Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguém tem carinho assim para dar
Eu vejo na luz dos seus olhos
As noites do Rio ao luar
Vejo a mesma luz
Vejo o mesmo céu
Vejo o mesmo mar

Ela é meu amor, só me vê a mim
A mim que vivi para encontrar

Eu dizia que era mais fácil eu ter minha filha e chamá-la Luíza para poder cantar:

E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza

E nisso ríamos das besteiras de dois apaixonados pelo mesmo objeto, mas que buscavam manifestá-lo de forma distinta.

Volta e meia Mário aparecia de rolo com alguma menina. Quando ia ver era catarinense, paulistana, gaúcha…
Eu só olhava de canto de olho. Sabia que aquilo não ia durar. E não durava mesmo.
Mário não era bonito, mas galanteador que só vendo. Tinha pencas de meninas atrás dele. Que não eram cariocas.

Um dia soube que ele estava apaixonado por uma menina da faculdade. Que cursava letras ou história, não me lembro. E ela era carioca.
Todavia, diferente dos outros romances, neste Mário pagou suas penas. Não bastou seu charme e conversa mole. Juliana (que era o nome da menina) mostrou que de fácil as cariocas tinham apenas o sorriso e a conversa. Não o coração.

Porém, Mário saiu vitorioso.
Hoje os dois estão casados e moram no interior de São Paulo, ironicamente.

Esses dias perguntei a ele se ele era mais apaixonado pela Juliana ou pela carioquice dele.
Deu-me apenas um sorriso de canto de boca, um balanço de cabeça e disse que ainda não descobriu.

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