Na curva do ‘Kosmos’

De repente o trânsito parou. Houve um silêncio. Era um caminhão tombado na curva do Kosmos Clube, na Via Perimetral, em Mogi das Cruzes. Boa parte da carga de gesso ficou espalhada no canteiro central e pista oposta. “O motorista está lá dentro”, gritou apavorada uma jovem que parou o carro ali mesmo, de qualquer jeito. “Qual o número dos bombeiros?”, me perguntou a moça de cabelos pretos. Eu estava voltando para casa após um dia de trabalho, mas também estacionei ali perto daquela moça. Nestas horas o jornalismo é mais forte. Segunda-feira, dia 28 de setembro, 16h55.
A tensão tomou conta quando um senhor confirmou realmente que o motorista estava preso na cabine. Carros fizeram um estacionamento improvisado na entrada do Kosmos. Muita gente querendo ajudar. Motoristas de outros caminhões, que vinham no sentido contrário, também foram prestar auxílio.
Alguns sinalizaram a pista com vegetação até a chegada da PM. E quando ninguém esperava, o motorista (um jovem de bermuda, camiseta amarela e boné) foi retirado da cabine com a ajuda de um homem desconhecido. Estava — aparentemente — bem. “Tá tudo bem”, disse o condutor.
Desceu da cabine e parou ao lado do veículo tombado na curva. Em vez de verificar se havia algum arranhão ou corte em seu corpo, ele preferiu olhar fixamente para aquela carga derramada na pista. Ficou pensativo, com as mãos na cintura, e depois fez um sinal de positivo para alguém que perguntou, mais uma vez, como ele estava.
Fiz fotos e um vídeo. Envei o material para a redação do G1 e TV Diário (afiliada da GLOBO) e vim embora. Este é o meu trabalho.